''Queimamos aqui as bandeiras dos Estados Unidos e Inglaterra enquanto lá no Iraque esses países queimam mulheres e crianças inocentes'', discursou ontem Nasser Kadre, diretor cultural da Associação Beneficente Islâmica. A queima das bandeiras incluindo a de Israel e dos retratos do presidente norte-americano George W. Bush foi o auge do protesto anti-guerra convocado pelo recém-formado Comitê Antiimperialista de Londrina. Fotografias das vítimas da guerra no Iraque ilustravam o movimento, ao lado de faixas e até mesmo um caixão. ''Estamos fazendo o enterro simbólico dos inocentes'', explicou Kadre.
Constituído há uma semana, o comitê conta com a participação de centros acadêmicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Associação de Docentes (Aduel), representantes da comunidade árabe e entidades sindicais. No informativo distribuído durante o protesto, o comitê explica que apóia incondicionalmente o Iraque e se manifesta contra a invasão imperialista da coalização formada por Estados Unidos e Inglaterra.
''Eu sou conselheira tutelar, mas não estou aqui representando o Conselho. A história convoca o cidadão e por isso me juntei ao comitê para mostrar que a coisa não é como está sendo pintada'', explicou Rita Bastos, que puxou o coro de ''Paz Agora, Bush Fora''.
''Tinha que ter mais manifestações pela paz. Muita gente não percebe, mas até para nós essa guerra já está afetando. Quem me diz que essa pneumonia (asiática) não é algo químico que está no ar?'', questionou a dona de casa Aparecida Oliveira, que parou seu passeio pelo Calçadão para ver o protesto.
O final da manifestação foi marcado por uma ''marcha contra o imperialismo''. Participantes do comitê seguiram o carro de som ouvindo declarações em árabe do libanês Omar Hayek, da Sociedade Muçulmana de Londrina.

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