Protesto antecipa julgamento de policiais
A família e os amigos do estudante Rafael Rodrigo Zanella, assassinado aos 20 anos com um tiro na cabeça em 28 de maio de 1997, fazem um protesto hoje, a partir das 10 horas, na rótula do começo da Rua Via Vêneto, em Santa Felicidade, em Curitiba. Segundo o pai do estudante, o empresário Cesar Antonio Zanella, a intenção é lembrar a sociedade e exigir a condenação dos oito acusados pelo crime, sete deles policiais civis.
Dois acusados, os policiais Reinaldo Siduovski e Airton Adonsk Júnior, têm julgamento marcado para a próxima quinta-feira, a partir das 9 horas no Tribunal do Júri. Queremos lembrar as pessoas daquela estupidez, daquela farsa, como se já não bastasse a morte do meu filho, disse Cesar, referindo-se à tentativa dos policiais em forjar um flagrante.
ReproduçãoIrregularidadeRafael Rodrigo Zanella foi morto aos 20 anos, durante uma blitz policial. O tiro teria sido dado por um funcionário público que participava da operação, apesar de não ser policialDurante o protesto, do qual participam familiares de vítimas da violência policial, serão distribuídos cerca de 2 mil panfletos, que contam como ocorreu o homicídio. O estudante e dois amigos iam jogar futebol quando foram parados em uma suposta blitz policial. Logo após parar o carro que dirigia, Rafael foi baleado pelo então funcionário público Almiro Deni Schmidt, que apesar de não ser policial participava da blitz.
Depois do crime, os dois colegas de Rafael foram presos e pacotes de droga teriam sido colocados junto ao corpo do estudante pelos próprios policiais. Além de Schmidt, Siduovsk e Adonsk, são acusados de participar da farsa os delegados Francisco dos Santos e Maurício Bittencourt Fowler, o escrivão Carlos Henrique Dias, o superintendente Daniel Santiago Cortez e o policial Jorge Bressan.
Bressan e Schmidt também seriam julgados em 1º de outubro, segundo determinação do juiz da 6ª Vara Criminal. Os dois, porém, entraram com recurso no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. O TJ deve decidir se eles irão ou não a julgamento por júri popular. O advogado Júlio Militão da Silva espera que o TJ se pronuncie em outubro. Ele foi contratado pela família de Rafael e atuará como assistente do promotor Celso Ribas durante os julgamentos.
A mãe de Rafael, Elizabetha Zanela, disse estar ansiosa pela realização do julgamento. Ela não tem dúvidas que os acusados serão condenados. Para ela, a condenação será uma lição a outros maus policiais. Desde a morte do filho, Elizabetha luta para incriminar os policiais e não se conforma com o fato de a maioria dos acusados estar em liberdade e trabalhando na polícia, como se nada tivesse acontecido.





