Imagem ilustrativa da imagem Proteja-se do fogo e da fumaça
| Foto: Folha Arte



As notícias sobre incêndios têm sido frequentes nas últimas semanas. Além do episódio de comoção nacional - o incêndio no CT (Centro de Treinamento) do Flamengo na sexta-feira (8) - ocorrências em Londrina vêm sendo registradas em maior número comparado a 2018. As estatísticas do Corpo de Bombeiros apontam 92 incêndios na cidade desde o início do ano. São 42 a mais em relação ao mesmo período do ano passado.

Somente em edificação, como o que ocorreu em uma loja de plásticos na região central há 11 dias, são 29 registros, e de ambiente externo (vegetação) são 51 ocorrências. Na sexta-feira, o fogo atingiu a Fazenda Refúgio, na zona sul. As chamas foram controladas e ninguém se feriu. O mesmo ocorreu em um PEV (Ponto de Entrega Voluntária) na zona leste, no dia 3. A suspeita é de que essas duas ocorrências em vegetação tenham sido criminosas.

O relatório dos bombeiros traz ainda 12 incêndios em meios de transporte em dois meses. O sargento Ricardo dos Santos comenta que os números ultrapassaram a expectativa da corporação. "Como janeiro é um mês chuvoso, não esperávamos tantas ocorrências, mas tivemos muitas situações. O clima está seco, extremamente quente e falta conscientização por parte da população, que muitas vezes acaba provocando essas situações em vegetação. Às vezes, uma bituca de cigarro já é suficiente para causar um incêndio", diz.

O oficial, que está há 26 anos na corporação, afirma que os incêndios são sempre situações de desespero e, portanto, é comum as vítimas não conseguirem raciocinar nessa situação. Mas quando há fogo e fumaça, as ações devem ser extremamente rápidas. Para saber como agir em casos assim, a FOLHA ouviu o sargento do Corpo de Bombeiros e o chefe médico do CTQ (Centro de Tratamento de Queimados) do HU (Hospital Universitário) de Londrina, Reinaldo Kuwahara.

De acordo com o médico, quando há fogo o primeiro passo é se afastar da fonte de calor, buscar a saída agachado e tentar se cobrir. "Quando a pele queima, ela perde calor por uma reação natural do corpo diante de um choque e por isso é importante manter esse calor", diz.

Quanto à fumaça, Kuwahara explica que uma das substâncias presentes é o cianeto, que quando inalado atinge a corrente sanguínea e se impregna no pulmão. "Vale tentar filtrar a fumaça com alguma máscara ou pano úmido cobrindo o nariz e a boca, mas o ideal é a máscara de oxigênio, disponibilizada pelos serviços de urgência. Portanto, o segundo passo após se afastar da fonte de calor é sempre acionar o socorro", aponta.

O sargento Santos lembra que a população que vive em apartamentos deve também conhecer as rotas de fuga e localização da chave geral; presença e uso de extintores; ter contato com a vizinhança; fazer a instalação correta de equipamentos e ter noções básicas de prevenção, principalmente em casas com crianças. "Em uma situação de incêndio, a calma é extremamente importante para que os socorristas tenham acesso às informações. É muito comum, por exemplo, a pessoa não conseguir nem citar o endereço para o nosso deslocamento", comenta.

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