Protegendo a Vida se normatiza
Além de oferecer treinamento e hospedagem para profissionais de saúde, o Programa Protegendo a Vida está concentrado também no direcionamento do tratamento do paciente. Em duas áreas – ginecologia e ortopedia – foram lançados protocolos de atendimento e aprendizado, com a participação de entidades associadas e das universidades paranaenses.
Nos dois casos, o atendimento foi normatizado. No caso de gravidez de alto risco, os procedimentos serão sempre os mesmos, ainda que a paciente mude de cidade ou de médico. Cinco instituições de ensino – UFPR, PUC-PR, Faculdade Evangélica de Medicina, UEL e UEM – participaram da elaboração do projeto.
O chefe do PS Obstétrico do Hospital Universitário de Londrina, Fernando Mangieri Sobrinho, afirmou que a normatização de procedimentos é uma velha reivindicação de seus residentes. ‘‘Eu acredito que a padronização dos serviços deva ser estendida a todas as áreas da medicina’’, afirma.
O Protegendo a Vida, da Secretaria Estadual da Saúde, chegou a seu final depois de formar e capacitar mais de 900 profissionais das mais diversas áreas da saúde. Durante 17 dias do mês de dezembro foram realizados 16 cursos para médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e dentistas. Em seu quarto ano de existência, o programa cresceu, ofereceu novidades e ainda foi palco de assinaturas de protocolos de atendimento nas áreas de ginecologia, obstetrícia e ortopedia. Reconhecendo a importância do programa, o Ministério da Saúde repassou os recursos para a realização do Protegendo a Vida 99.
O número de pessoas beneficiadas com os cursos, porém, é muito maior. Assim que concluem os cursos, os alunos passam a disseminar seus conhecimentos no local de trabalho. É o caso da enfermeira Marlene Pedrini Melo, da Maternidade Municipal de Umuarama, que participou de dois cursos este ano: Netonatologia e de Assistência ao Recém-Nato.
Marlene, aliás, é uma verdadeira veterana do Protegendo a Vida. ‘‘Aprendi muito sobre a saúde da mulher e da família aqui’’, diz. Ela afirma que faz questão de participar de todas as etapas do projeto. ‘‘Quando não estou na lista, eu peço e dou um jeito de vir. Já paguei cursos caros para dormir. Aqui, eu tenho um aprendizado ágil e gratuito’’, afirmou ela.
Ela afirmou que ao voltar para Umuarama já teria muito o que aplicar. Marlene aprendeu a avaliar a dilatação das pacientes, fazendo o controle de parto. ‘‘Agora eu sei, com segurança, que quando a dilatação é de 1cm apenas, posso mandar a paciente para casa, ficando mais tranquila’’, exemplifica.
Segundo a enfermeira, o fato de conservar o máximo possível o paciente em casa faz parte também da ‘‘parte humana’’ que aprendeu no curso. ‘‘Aprendemos que o tratamento clínico é tão importante quanto uma palavra amiga. Uma pessoa doente, no hospital, está muito fragilizada’’, avalia.
Entre os professores que ministravam aulas nos últimos dias de cursos, a satisfação era grande. O instrutor do curso de Cirurgia Buco-Maxilar-Facial, cirurgião-dentista Wilson Denis Martins, estava feliz com a boa aceitação de seu módulo, que capacitou odontólogos para atendimento de emergências em hospitais. O que muita gente não sabe, destacou ele, é que a cirurgia da face é feita por dentistas especializados.
De acordo com Martins, a aceitação entre os odontólogos que trabalham como clínicos gerais foi muito boa. ‘‘Nossa idéia foi abrir o curso para todos os profissionais da odontologia para que, em uma emergência, eles possam fazer um atendimento mais seguro’’, aponta.
Mas, mesmo entre os que já trabalham na área, a impressão foi bastante positiva. É o caso do cirurgião dentista Gilberto Borba Navolar, que trabalha com cirurgia buco-maxiliar-facial e elogiou as novas técnicas ensinadas no curso ministrado por Martins. Ele veio de Londrina, onde trabalha no Hospital Universitário.

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