Proteção para mulheres vítimas de violência
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segunda-feira, 06 de julho de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
As mulheres vítimas de ameaças ou agressões dos maridos ou companheiros e que já contam com medidas protetivas expedidas pela Justiça passam a contar a partir de hoje com mais uma forma de proteção. É que começa a funcionar hoje em Londrina a Patrulha Maria da Penha. A cidade é a segunda do Estado a contar com o serviço, já existente em Curitiba. Equipes da Guarda Municipal serão os responsáveis por atender vítimas em casos de emergência.
Em Londrina, o serviço funciona 24 horas. Vinte agentes da GM passaram por treinamento específico para atender às ocorrências. As patrulhas serão feitas sempre em duplas mistas, em escala de revezamento de 12 horas. A Secretaria Municipal de Defesa Social recebeu duas viaturas novas para uso exclusivo neste serviço. "Na sequência estaremos realizando uma multiplicação deste treinamento para que todas as equipes da Guarda que estejam em patrulhamento possam realizar o atendimento", contou o secretário de Defesa Social de Londrina, coronel Rubens Guimarães.
Quarenta policiais militares também foram treinados para reforçar o atendimento em casos de emergência, quando, por exemplo, o agressor chega às vias de fato. "Se for ocorrência de um marido agredindo a mulher e ela não possuir ainda a medida protetiva, a Polícia Militar vai fazer o atendimento. Se essa ocorrência chegar ao 190, eles farão o atendimento, se chegar para a PM alguém que tenha medida protetiva, eles vão repassar para a Guarda fazer o atendimento", explicou Guimarães.
Em Londrina, cerca de 30 novos casos de agressão contra mulheres são registrados todos os dias na Delegacia da Mulher. Somente na comarca de Londrina, são 2,1 mil mulheres com medidas protetivas expedidas pela Justiça. Atualmente 27 casos de homicídio ou tentativa contra mulheres, em que os companheiros seriam os autores, tramitam na Justiça na cidade. "Infelizmente os casos têm aumentado, e temos uma porcentagem entre 10% e 20% dos agressores que não acatam essa ordem judicial e aí entra a importância dessa patrulha, que vai dar efetividade à lei e mais proteção às vítimas. Muitas vezes as mulheres chegavam ao Fórum e diziam que já portavam a medida, mas não se sentiam seguras. Agora elas podem acionar a patrulha, que vai fiscalizar o cumprimento da medida e dar mais segurança a elas", destacou a juíza da Vara Maria da Penha de Londrina, Zilda Romero.
Na capital, onde o projeto foi criado em março do ano passado, são cerca de 2,7 mil mulheres com medidas protetivas. "Em Curitiba, o projeto deu muito certo, houve melhoria grande na área social de toda a segurança da mulher, os crimes diminuíram e acredito que isso também vai acontecer em Londrina", observou o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Paulo Vasconcelos. "A Patrulha Maria da Penha já traz importância só pela sua existência de uma seguranças às mulheres através de policiais militares e isso já demonstra efetivamente que aquele criminoso que vive cometendo agressão tenha certa cautela e passe a tratar melhor a mulher. Efetivamente traz em termos estatísticos valores importantes em termos de redução da criminalidade", salientou o desembargador, acrescentando que outras cidades deverão receber a Patrulha Maria da Penha em breve. Quando o assunto é o número de casos de violência contra a mulher, o Paraná aparece atrás apenas do Espírito Santo e Alagoas no ranking.
Zilda Romero acrescentou ainda que a criação da Patrulha Maria da Penha pode incentivar ainda mais mulheres a denunciar os casos de agressão. "Estamos sempre divulgando a lei, para que as vítimas se sintam encorajadas a denunciar, porque só assim é que vamos combater o problema. Temos um juizado especializado, a Delegacia da Mulher, políticas públicas, então a mulher pode sentir-se segura para fazer o boletim de ocorrência e denunciar o agressor", ressaltou.
O lançamento foi realizado ontem com a presença de várias autoridades, no saguão da Prefeitura de Londrina.
Serviço
Patrulha Maria da Penha pode ser acionada pelos números 153, da Guarda Municipal, e 190, da Polícia Militar


