Proteção não tem idade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de junho de 2015
Antoniele Luciano <br>Reportagem Local 
Londrina Aos 59 anos, o vendedor Gilberto Marquiori, de Londrina, tem uma caderneta de vacinação de dar inveja em muita mãe de bebê. É que ele segue à risca as indicações para retorno e reforço das doses necessárias nos postos de saúde. "Já sei que tenho vacina para tomar em 2019, outra em 2024. Faz parte do cuidado com nós mesmos", define o vendedor, que nesta semana se imunizou contra a gripe.
Manter a carteirinha de vacinação atualizada, assim como faz Marquiori, está longe de ser algo importante apenas para a saúde das crianças. O esquema de imunização de adultos também requer atenção, ainda mais quando o objetivo é evitar formas mais agressivas de doenças que costumam acometer os pequenos. "Na nossa cultura, as pessoas entendem que vacina é uma questão infantil, mas à medida que nos tornamos mais velhos, ficamos mais vulneráveis a doenças", salienta a infectologista Jacy Andrade, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e integrante do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Imunização (SBI).
Na avaliação da especialista, o que mais gera resistência dos adultos em relação às vacinas é o medo e não é da reação do imunizante no organismo, mas da injeção propriamente dita. "Eles pensam que não é importante e vão deixando. Tem pessoas que até passam mal ao verem agulha", pontua Jacy. Ela ressalta, contudo, que é fundamental que as doses que demandam reforço sejam ministradas no prazo correto. A prática também deve ser registrada na carteirinha de vacinação, documento que precisa ser preservado ao longo da vida. "Se a pessoa tem todos os cartões, é uma bagagem que pode ser aproveitada. Neste caso, ela só faz o reforço necessário", diz.
Quem não tem esses registros, por sua vez, precisa refazer todo o esquema de vacinação. A repetição de eventuais doses, porém, não provoca danos ao organismo.
A maioria das doses recomendadas para adultos está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), completa a infectologista Jaqueline Dario Capobiango, do Hospital Universitário (HU) de Londrina. É o caso das doses contra difteria e tétano (dT) e febre amarela ambas ministradas a cada dez anos -, pneumocócica 23 e Influenza, ambas a partir dos 60 anos ou em casos de pacientes portadores de comorbidades, como hipertensão e diabetes. "O tétano, por exemplo, é uma doença que se fala pouco a respeito, mas se o paciente sofrer um acidente e não estiver com a imunização em dia está sujeito à doença. O mesmo acontece com a difteria. Ela não é uma bactéria frequente, mas seu risco ainda não foi extinto", pondera a médica.
Jaqueline elenca que na rede pública o adulto ainda pode receber uma nova dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tomar as doses contra hepatite B, caso não as tenha recebido na juventude. Na rede privada, são indicadas ainda as vacinas contra varicela no caso de quem não teve catapora na infância; HPV até os 26 anos; e herpes zoster, a partir dos 50 anos. "Não tem problema se a pessoa for vacinada novamente. O que não pode acontecer é ficar desprotegido", reforça a infectologista.
Segundo o Ministério da Saúde, o governo não tem números sobre o índice de vacinação em adultos. A prática nas unidades básicas de saúde, diferentemente da imunização em crianças, não exige notificação compulsória ao órgão.


