Proteção a caixas: prazo vence dia 30
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Josiane Schulz 
Josoé de CarvalhoFugindo de assaltosA comerciária Neiva da Silva tem medo de usar sistema: Raramente vou ao caixa eletrônico à noite. De madrugada, nem pensarOs bancos paranaenses têm até 30 de junho para que obedeçam à lei 11.562/96, que obriga a instalação de sistemas de filmagem, monitoramento e vigilância nos caixas eletrônicos. A informação é do secretário da Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, que assinou recentemente uma resolução administrativa regulamentando a lei.
Apesar de o prazo já estar se esgotando, a maioria dos bancos londrinenses ainda não tomou providências para se adequar às novas normas. A lei estabelece que cada caixa eletrônico tenha vigia, além de um sistema de segurança, com câmeras de filmagem e central de monitoramento.
A lei surgiu em função do elevado número de assaltos a clientes que utilizam os serviços, principalmente à noite e de madrugada. Em Londrina, vários assaltos foram registrados nesses locais. Um deles resultou na morte do estudante de engenharia Rubens Antonio Rodrigues, 26 anos, em setembro do ano passado, no caixa eletrônico do Bradesco.
O secretário de Segurança Pública acredita que a lei vai amenizar em 90% o problema. Não sei se o problema será solucionado, mas é um importante passo no controle desses assaltos. Segundo Oliveira, a assessoria jurídica da Secretaria está agora estudando uma solicitação feita pela superintendência do Banco do Brasil (BB), para que o prazo de adequação dos bancos seja prorrogado. Por ser um banco público, a licitação para execução desses serviços é obrigatória e existem prazos definidos por lei federal. Daí o pedido de adiamento, explicou Oliveira.
Os bancos que não cumprirem a lei, após esse prazo, serão primeiramente advertidos. Em seguida, a lei prevê multa de 100 mil Ufirs. Se o banco resistir às novas normas, o caixa eletrônico será interditado. A fiscalização ficará a cargo da Secretaria de Segurança Pública.
A assessoria de comunicação do BB em Curitiba informou que o banco já está tomando as providências, mas que ainda não existem determinações imediatas para a implantação do novo sistema de segurança nas agências, devido à necessidade de promover licitações. O gerente da agência Higienópolis do Banco Real, Luis Antonio Fonseca, disse estar esperando decisão da diretoria do banco para tomar as providências necessárias. Essas mudanças fogem da nossa autonomia.
O Banco Real é, segundo o diretor do Sindicato dos Bancários de Londrina, Paulo Roberto Lima, o que teve o maior número de assaltos a clientes no caixa eletrônico no ano passado - quatro. Lima contou que um levantamento mostra que os principais alvos dos assaltantes são mulheres e idosos. Ele afirmou que o Sindicato já está cobrando o cumprimento da lei pelos bancos.
Josoé de CarvalhoCéticoO funcionário público Roque Alves tem dúvidas se a lei será obedecida: Pessoas têm que se conscientizar e cobrar os banqueiros
O presidente do Sindicato dos Vigilantes de Londrina, Gabriel Trindade, disse que ainda não existe procura dos bancos para a contratação de vigilantes. Apesar da nova opção de emprego, Trindade se diz preocupado com as condições de trabalho dos profissionais que vão vigiar os caixas eletrônicos. Não existem guaritas nem banheiros.
A falta de segurança nos caixas eletrônicos faz que muitas pessoas não usem o serviço, principalmente à noite e de madrugada. A comerciária Neiva Aparecida da Silva, 19 anos, diz que raramente usa o caixa eletrônico à noite. De madrugada, nem pensar. Tenho muito medo. Aconteceram diversos assaltos e até morte. É muito arriscado, disse. Mesmo com a possível implantação do novo sistema de segurança, Neiva da Silva não quer arriscar. Não sei se vai dar resultado. Temos que esperar para ver.
O funcionário público Roque Alves também não se arrisca a sacar no caixa eletrônico em horários de menor movimento. Os clientes ficam muito desprotegidos nos caixas eletrônicos. Ficam a mercê de assaltantes. Alves tem dúvidas se a nova lei vai entrar em vigor. A sociedade vai ter que se conscientizar e cobrar que o banco instale o sistema de segurança. Porque se depender dos banqueiros, isso não vai acontecer. Eles só querem ter lucro, sem investir na segurança e bem-estar dos clientes.


