Prostitutas terão que arrumar emprego
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quinta-feira, 05 de novembro de 1998
Sid Sauer 
As pessoas que mantêm pontos de prostituição no centro de Campo Mourão estão tendo que assinar na 16ª Subdivisão Policial um termo de ocupação lícita, onde se comprometem a arrumar um trabalho normal em 30 dias. O procedimento está sendo adotado há cerca de um mês, quando as polícias Civil e Militar, o Conselho Tutelar e o Ministério Público iniciaram uma campanha de combate à prostituição na cidade.
Sei que nesta época não está fácil arrumar emprego, mas isso não justifica a vadiagem, diz o delegado-chefe da 16ª SDP, Roberval Butaccini. Desde que a operação começou, em média uma pessoa por dia é levada até a delegacia para assinar o compromisso. Em caso de reincidência, elas serão autuadas em flagrante por vadiagem. A pena é pequena, mas não há fiança na delegacia, explica o delegado. Depois de presas, só o juiz poderá soltá-las.
Segundo Buttacini, mulheres e travestis que forem flagrados mostrando partes íntimas para clientes no meio da rua, também serão autuados por atentado ao pudor. Estamos fazendo o possível para evitar a prostituição em áreas públicas da cidade, ressaltou. Não fica bem a presença de prostitutas numa praça ao lado da rodoviária e da catedral, que são locais de grande público, diz Butaccini, referindo-se à Praça Getúlio Vargas, onde o problema era mais crítico.
O subcomandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, major Avelino Novakoski, disse ontem que a PM intensificou o trabalho na região da Praça Getúlio Vargas e em frente à Caixa Econômica, mas as ações acontecem sempre de surpresa. Vamos tentar pelo menos inibir a prática da prosituição em locais públicos, explicou. São coisas que ferem os costumes e prejudicam a imagem da cidade.
Cadastro Anteontem, a polícia chegou a deter três mulheres na rodoviária, acusadas de prostituição: Alessandra Silva, 26 anos, Leila dos Santos, 24, e uma menor de 17 anos. A promotora da Infância e Adolescência Lígia Camargo, disse ontem que, desde que a campanha começou, apenas um caso envolvendo menor de idade chegou à Promotoria. Os menores envolvidos são poucos, afirmou.
De acordo com a promotora, as menores envolvidas em prostituição são encaminhadas ao Conselho Tutelar para que sejam inseridas em algum programa de atendimento. Lígia também está pedindo que as menores sejam colocadas em abrigos. O Conselho Tutelar vem cadastrando as pessoas que ficam paradas na praça. Os casos de reincidências têm que ser explicados na polícia.


