As pessoas que mantêm pontos de prostituição no centro de Campo Mourão estão tendo que assinar na 16ª Subdivisão Policial um termo de ocupação lícita, onde se comprometem a arrumar ‘‘um trabalho normal’’ em 30 dias. O procedimento está sendo adotado há cerca de um mês, quando as polícias Civil e Militar, o Conselho Tutelar e o Ministério Público iniciaram uma campanha de combate à prostituição na cidade.
‘‘Sei que nesta época não está fácil arrumar emprego, mas isso não justifica a vadiagem’’, diz o delegado-chefe da 16ª SDP, Roberval Butaccini. Desde que a operação começou, em média uma pessoa por dia é levada até a delegacia para assinar o compromisso. Em caso de reincidência, elas serão autuadas em flagrante por vadiagem. ‘‘A pena é pequena, mas não há fiança na delegacia’’, explica o delegado. ‘‘Depois de presas, só o juiz poderá soltá-las’’.
Segundo Buttacini, mulheres e travestis que forem flagrados mostrando ‘‘partes íntimas’’ para clientes no meio da rua, também serão autuados por atentado ao pudor. ‘‘Estamos fazendo o possível para evitar a prostituição em áreas públicas da cidade’’, ressaltou. ‘‘Não fica bem a presença de prostitutas numa praça ao lado da rodoviária e da catedral, que são locais de grande público’’, diz Butaccini, referindo-se à Praça Getúlio Vargas, onde o problema era mais crítico.
O subcomandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, major Avelino Novakoski, disse ontem que a PM intensificou o trabalho na região da Praça Getúlio Vargas e em frente à Caixa Econômica, mas as ações acontecem sempre de surpresa. ‘‘Vamos tentar pelo menos inibir a prática da prosituição em locais públicos’’, explicou. ‘‘São coisas que ferem os costumes e prejudicam a imagem da cidade’’.
Cadastro Anteontem, a polícia chegou a deter três mulheres na rodoviária, acusadas de prostituição: Alessandra Silva, 26 anos, Leila dos Santos, 24, e uma menor de 17 anos. A promotora da Infância e Adolescência Lígia Camargo, disse ontem que, desde que a campanha começou, apenas um caso envolvendo menor de idade chegou à Promotoria. ‘‘Os menores envolvidos são poucos’’, afirmou.
De acordo com a promotora, as menores envolvidas em prostituição são encaminhadas ao Conselho Tutelar para que sejam inseridas em algum programa de atendimento. Lígia também está pedindo que as menores sejam colocadas em abrigos. O Conselho Tutelar vem cadastrando as pessoas que ficam paradas na praça. Os casos de reincidências têm que ser explicados na polícia.

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