Maringá A prostituta e socióloga Carmem Lucia de Souza disse ontem, em Maringá, que todo tipo de profissional de uma forma ou de outra se prostitui para garantir o sustento. Carmem, que é do Núcleo de Estudos da Prostituição, de Porto Alegre (RS), participou do Encontro de Profissionais do Sexo, evento da Semana de Luta contra a Aids, organizado pela Secretaria de Saúde de Maringá. Na palestra à prostitutas, michês e travestis, a socióloga orientou sobre o direito de contribuição para a Previdência Social e do uso da camisinha com clientes e parceiros fixos.
Segundo Carmem, uma pesquisa entre 300 mulheres prostitutas de Porto Alegre, com média de idade de 29 anos, mostrou que 90% usam camisinhas com clientes, mas 30% desta mesma população não utiliza o preservativo com o parceiro fixo. ''Por causa disso, elas ficam sujeitas a doenças'', disse Carmem. O Núcleo também descobriu que é grande o número de mulheres acima de 40 anos que se separam dos maridos e parte para a prostituição como meio de sobrevivência. Para a socióloga, formada há dois anos e meio pela Unisinos, de São Leopoldo (RS), não existe mais motivos para não conceituar a prostituição como um trabalho. ''Tanto lutamos que no ano passado o Ministério do Trabalho e a Previdência Social reconheceram as várias formas de prostituição e hoje temos acesso aos benefícios sociais'', disse Carmem. A luta agora, conforme a socióloga, é pela aprovação de um projeto de lei no Congresso Nacional para discriminalizar a profissão.
Segundo Carmem, as prostitutas iniciam na profissão por necessidade, mas continuam por opção. A socióloga, tem 38 anos, sendo mais de 20 na profissão. Ela tem três filhos e uma neta de dois meses e disse que continua se prostituindo, mesmo com a formação em Sociologia. ''O curso superior me ajudou politicamente e também para consciência de que sou uma cidadã e que os demais profissionais da minha área tem os mesmos direitos de cidadãos brasileiros'', afirmou a prostituta e socióloga.

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