Prostitutas querem mudar 'ponto' do Passeio Público
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
James Alberti 
O Grupo Liberdade Direitos Humanos da Mulher Prostituída, que congrega cerca de 5.200 prostitutas de Curitiba, quer uma audiência com o prefeito Cassio Taniguchi para discutir a transferência da prostituição do Passeio Público, local que a Prefeitura quer revitalizar, para outro ponto da cidade.
Em troca, elas pedem a reabertura de seis hotéis, que teriam sido fechados sob acusação de trabalharem com fregueses de alta rotatividade. Os donos dos estabelecimentos, que apóiam a proposta, dizem estar à beira da fome depois que os negócios foram fechados.
Uma preocupação das prostitutas, caso o fechamento de hotéis seja incentivado, é o aumento da contaminação pelo vírus HIV. Segundo Carmem Costa, presidente do Grupo Liberdade, os hotéis fornecem camisinhas para evitar a doença. Ela acredita também que o fechamento das casas leva as mulheres a praticar sexo dentro de carros e, às vezes, em praças.
Atualmente, conforme Carmem, cerca de 50 mulheres trabalham na região do Passeio Público. Todas mudariam de local se o prefeito concordar em negociar. Se não for assim, nosso hotel será o luar. Nós vamos acabar fazendo sexo nas praças, disse.
Para a presidente do grupo, os donos de hotéis não podem ser punidos por causa das prostitutas. Se as mulheres se comportam como cidadãos, eles não podem impedir que elas fiquem no hotel, acredita.
O comerciante Gilberto Joel de Vito, 41 anos, dono do Hotel Rota Nova, nega que seu hotel seja de alta rotatividade, motivo que levou a Prefeitura a fechá-lo em agosto do ano passado. Eu não posso perguntar o que eles vão fazer no quarto. Eu cobro a diária e só, disse.
Sem dinheiro para pagar o salário ou a rescisão dos funcionários, apesar de ter gasto R$ 600,00 com o IPTU e R$ 80 mil com reformas, De Vito diz ter vergonha de ir ao hotel por ter que encarar os empregados. Eu não sou criminoso, mas é como me sinto. Estou somente pedindo o direito de trabalhar, afirmou.
Carmem Maria Ferreira Lima, dona do Hotel Charme, que fica na Rua 13 de Maio, assim como o Rota Nova, vive o mesmo drama de De Vito. Os empregados estão o bicho comigo, disse. Ela está indignada por ter feito uma escada de R$ 2 mil para incêndio, seguindo orientação do Corpo de Bombeiros, uma semana antes de o hotel ter sido fechado.
Ontem, o assessor do prefeito, Nelson Paes, responsável pela agenda, disse que o Grupo Liberdade será recebido pelo prefeito se solicitar uma audiência.


