Prostituição juvenil ganha as ruas
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de dezembro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
As esquinas da região central das cidades estão cada vez mais tomadas por meninas com idades que variam entre sete e 17 anos, a maioria delas com históricos de pobreza, uso de drogas, violência caseira e abandono dos pais. É na prostituição que elas encontram a alternativa para a falta de comida e compreensão que conheceram no tempo em que viviam junto de suas famílias, quase sempre numerosa e marcada pelo desemprego e alcoolismo. Pesquisa realizada há alguns meses pelo Grupo Dignidade estima que existam mais de 250 meninas prostituídas somente na região de Curitiba.
Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada na Assembléia Legislativa em 1995 para investigar os casos de prostituição no Paraná, um relatório apontou a existência de um grande número de adolescentes que praticavam a chamada prostituição agenciada, em que há a presença de um empresário que negocia os programas realizados pelas garotas.
Desde o término da CPI, no entanto, técnicos ligados às entidades assistenciais têm percebido o crescimento da prostituição voluntária, em que a opção pelas ruas é motivada pela vontade de fugir das dificuldades financeiras e dos conflitos familiares existentes em casa. Nesta modalidade, a prostituição começa ainda mais cedo, às vezes antes mesmo do início da puberdade.
Fazer programas nunca é a primeira opção de nenhuma menina, mas acaba acontecendo como forma de sustentar o consumo de drogas, diz a assistente social Ana Márcia Noga, diretora da Casa Madre Antônia, que acolhe meninas que tenham abandonado a prostituição. Segundo a assistente social, as adolescentes que passam a viver nas ruas primeiro pedem esmolas para tentar comprar comida, até que têm contato com as drogas, na maioria das vezes cola de sapateiro ou cocaína, e então começam a roubar para sustentar o vício. Depois, percebem que é mais rentável se prostituir.
O deputado Irineu Colombo (PT), que presidiu a CPI sobre prostituição infantil, acredita que o problema é mais social do que econômico. As famílias estão tão desestruturadas que acabam funcionando como pólos expulsores dos filhos, que tem como única alternativa a vida nas ruas, diz. Para os filhos homens, a opção mais fácil é roubar; para as mulheres, o sexo.
A prostituição das meninas é mais um dos problemas que a sociedade procura não enfrentar, afirma o deputado. Dos mais de 20 inquéritos encaminhados pela CPI à polícia contendo denúncias sobre envolvimento de empresários com a prostituição, a maioria permanece sem conclusão.


