Prostituição infantil cresce em Curitiba
Israel Reinstein
De Curitiba
Uma chupetinha ou trepadinha?. É com essa pergunta, que a adolescente L.C., 14 anos, ganha dinheiro quase todas as noites. Prostituindo-se próximo da favela da Vila das Torres, a jovem disputa espaço com outras 12 meninas, com idades entre 12 a 17 anos, que se oferecem para realizar programas que variam de R$ 10,00 a R$ 30,00.
As adolescentes se prostituem na Avenida Comendador Franco e nas ruas paralelas, como a Rua Padre Francisco João Azevedo. Elas ficam debaixo das árvores, normalmente em grupo. E vem gente todo o tipo de pessoas para pegar as meninas, disse uma moradora, que preferiu não se identificar. As próprias jovens contaram para reportagem da Folha que atendem pessoas de todas as classes sociais. Vêm uns bacanas com carrão, desses importados, afirmou P.C., 15 anos.
A região do Jardim Botânico não é a única onde estão situadas as adolescentes que fazem programa. Próximo do quartel do Boqueirão e também na zona central da cidades, os educadores de rua da prefeitura encontram meninas. Este ano já foram feitas operações em conjunto com a Polícia Militar em boates da perifeiria, onde foram retiradas adolescentes que se prostituíam, contou Ângela Mendoça, diretora do Departamento de Integração Social da Criança e Adolescente, da Prefeitura de Curitiba.
A diretora conta que as adolescentes encontradas nas ruas da cidade tem um perfil comum, que aponta problemas familiares e baixa escolaridade, além de serem membros de famílias com baixa renda. É o caso da menina P.C., 15 anos. A adolescente contou que está se prostituindo há dois anos. Morando apenas com a mãe, que trabalha como doméstica, ela disse que parte do que ganha é usado para sustentar a família. O resto gasto com roupas e cheirinho, afirmou a menina, referindo-se ao uso do tinner.
P.C. realiza programa próximo da Vila das Torres. Ela disse que faz os programas nos drive-in que ficam na região. O mais usado é um que fica próximo daqui, disse, acrescentando que são usados também estabelecimentos situados no bairro do Jardim das Américas.
Para utilizar o drive-in Challé Challé Lanches, que fica há três quadras do ponto de P.C., ela orienta o cliente a comprar dois refrigerantes. Depois ninguém perturba mais, afirmou. A Folha procurou o dono do estabelecimento, Sérgio Bronze, mas não conseguiu conversar com ele. Um garçom, que evitou dar nome, justificou que é complicado para o estabelecimento saber quem está dentro do carro. Todo mundo sabe o uso que as pessoas dão aos drive-in, por isso quando atendo evito de ficar olhando para dentro carro, para não deixar os fregueses encabulados, afirmou.No bairro Jardim Botânico, junto à favela da Vila das Torres, as menina s disputam espaço para fazer programas
Mauro FrassonFUTURO?As meninas com idade entre 12 e 17 anos ficam nas proximidades da Avenida Comendador Franco. Vêm uns bacanas com carrão, desses importados





