Uma nova técnica para cirurgia de próstata, por videolaparoscopia, foi demonstrada anteontem, em Londrina, pelo urologista gaúcho Mirandolino Mariano. Cerca de 30 médicos, de Londrina e Maringá, assistiram à transmissão simultânea de duas cirurgias, uma delas a técnica de prostatectomia radical (retirada completa de próstata), inédita no Paraná.
A retirada completa é indicada nos casos de câncer de próstata, já que a quimioterapia apresenta pouca resolutividade. O outro procedimento foi uma pieloplastia, que corrige uma má formação do rim que dificulta a passagem da urina para a bexiga. A técnica de prostatectomia radical por videolaparoscopia ainda é pouco utilizada no mundo e, no Brasil, é utilizada apenas no Hospital de Clínicas de São Paulo, na região do ABC Paulista, e em Porto Alegre (RS). De acordo com Mariano, o primeiro urologista a utilizar o procedimento no País, a maior vantagem é para o paciente, já que o uso de analgésicos é reduzido em 95%, o tempo de internação no hospital cai de uma semana para dois ou três dias, e a utilização de sonda, diminuída de 14 dias para sete.
Alguns médicos acreditam também que, como o trauma cirúrgico é menor, a videolaparoscopia pode reduzir casos de incontinência urinária, um dos possíveis efeitos colaterais da doença. ‘‘O pós-operatório é tranquilo e o índice de complicação é muito pequeno. No caso da redução de sintomas como a impotência sexual, ainda é cedo para afirmar, mas os casos de incontinência urinária são diminuídos’’, explicou Mariano.
Para os médicos, a utilização da técnica exige treinamento. ‘‘Quando começaram os estudos para esse tipo de procedimento, em 1992, houve muitas críticas, mas de 99 para cá, houve uma evolução muito grande nas cirurgias minimamente invasivas, principalmente na área de urologia’’, disse. Ao contrário da técnica aberta, feita através de uma incisão média de 15 centímetros, na videolaparoscopia a cirurgia é realizada por quatro micro-incisões de um centímetro cada e outro pequeno corte.
Em Londrina, o primeiro passo para a utilização da técnica já foi dado: a compra do equipamento de videolaparoscopia, um investimento que custa entre de US$ 20 mil a US$ 30 mil. De acordo com o urologista Edson Henrique Vannuchi, diretor clínico do grupo de urologistas do Hospital Mater Dei, o aparelho também deve ser utilizado para tratamento de outras patologias urológicas. Estatísticas americanas indicam que o câncer de próstata atinge 10% da população masculina na faixa dos 60 anos de idade.

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