Prorrogado prazo para destinação de lixo
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
O prazo para que os geradores de resíduos de saúde (lixo hospitalar) dêem um destino adequado para o produto, que encerraria no final deste mês, foi prorrogado por mais 60 dias em Londrina. A decisão foi tomada ontem pela manhã, depois de uma reunião entre o secretário do Estado de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, e representantes da Associação Médica de Londrina (AML), do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviço de Saúde, além de profissionais das áreas odontológica, farmacêutica, veterinária e laboratorial. Uma comissão formada por membros de cada setor vai elaborar um plano da categoria, que dentro desse prazo deve ser enviado ao secretário, com a definição de como fazer a coleta e a destinação do lixo.
A intenção é atender a determinação exigida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), que através de duas resoluções (358 e 306) estabelecem as normas para a destinação do lixo, que passa a ser de responsabilidade dos geradores dos resíduos. Atualmente, a coleta é feita por uma empresa contratada pela prefeitura, que deposita o lixo hospitalar no aterro sanitário. A medida foi tomada para diminuir a produção do lixo e dos riscos para a saúde da populção e do meio ambiente.
A questão está sendo discutida desde o ano passado, porque os prazos para atender as resoluções esgotaram no final de dezembro, sendo estendido até o final do mês de janeiro. Os representantes da área de saúde criticam a transferência da responsabilidade do problema para as instituições privadas e querem a colaboração do governo para atender as novas normas.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Hospitais, Fahd Haddad, a grande preocupação é com os custos. Ele afirma que os hospitais já trabalham em condições difíceis e que a nova determinação ''vai piorar a situação''. ''A defasagem no custeio da saúde é de 100%, a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) está defasada em 108%, muitos hospitais estão fechando. A destinação dos resíduos seria um ônus a mais para os setores da saúde'', afirmou o superintendente da Santa Casa, a maior geradora de lixo hospitalar de Londrina.
Haddad comenta que três empresas, de Sarandi, de Siqueira Campos e de Maringá, estariam interessadas em fazer o trabalho de destinação do lixo, encaminhando os resíduos até o aterro de Curitiba ou de São Paulo. ''Estamos sendo procurados por estas empresas. Tudo isso tem um custo muito alto e não podemos custear essas despesas'', declarou Haddad, informando que vários estabelecimentos da cidade já estão pagando empresas particulares para atender a resolução. Hadad sugeriu um subsídio por parte do governo para ajudar nas despesas.
Outra reclamação é que o prazo dado para o Conama para que os setores estivessem organizados é abril de 2007, com possibilidade de prorrogação de um ano. Apesar disso, em dezembro, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) recebeu uma determinação da Secretaria do Meio Ambiente do Estado para lacrar o aterro sanitário de Londrina, onde hoje é depositado o lixo hospitalar. Em função das discussões, o secretário Cheida determinou a suspensão da ordem. ''Os geradores de resíduos estão se tornando reféns do mercado e não é essa a nossa intenção. Vamos estudar uma forma de resolver o problema, envolvendo todos os setores de saúde.''
O secretário alegou que a decisão de Londrina, pode servir de exemplo para todo o Estado: ''Estabelecendo uma forma rápida e organizada entre todos os representantes do setor para resolver o problema, o Estado está pronto para colaborar com o que for preciso''.


