Proprietário de uma área de 30 alqueires na Fazenda Boa Vista, em Abatiá, Wanderley Garcia Manzano comprova a posse de terra apresentando à reportagem o registro de compra, datado de 26 de dezembro de 1950, no Cartório de Imóveis, Títulos e Documentos da Comarca de Santo Antônio da Plantina. No documento, a área adquirida - um total de 30 hectares - foi negociada, com moeda da época, por CR$ 37,5 entre o pai, Manoel Garcia Quintanilha, e Jayme Carvalho de Oliveira, primeiro dono da área. A área pertenceria à Companhia de Terra Santa Amélia.
''Estamos documentados, pagamos pela área, acho impossível o governo federal dar ganho de causa para os índios. Mas se isso acontecer, quero a minha indenização''. O proprietário afirma que cada alqueire de sua propriedade vale R$ 30 mil.
Para Clayton Yasuhiro Taje, proprietário de usina e dono de uma área de 20 alqueires na Fazenda Boa Vista, uma indenização seria ''inviável'' porque, segundo ele, a maioria é de pequenos produtores, que vive na área apenas com cultura de subsistência.
Ele afirma que se a Justiça for favorável aos índios, a decisão será acatada, mas será ''péssimo'' para a região. ''A área será abandonada porque os índios não vão conseguir plantar e cuidar da terra. Isso não vai ser bom para a cidade''. Por causa disso, os proprietários estão se mobilizando para entrar na Justiça de forma conjunta. Eles vão pedir um ''interdito probitório'', ação que comprova a posse da terra.
A decisão foi tomada durante uma reunião na última segunda-feira entre os proprietários. No sábado, eles voltam a discutir o assunto e definem os detalhes do processo. ''Juntos teremos mais força para resolver o problema'', afirmou Taje. (M.O)

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