Os proprietários das antigas casas de ardósia, que cumpriram o acordo de substituí-las por alvenaria e pagaram o valor do terreno, estão próximos de receber a escritura definitiva dos imóveis. Pelo menos foi isto que ficou acertado durante uma reunião realizada ontem à tarde, na sede da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina.
A informação é do presidente da Cohab, Assad Jannani, que assumiu o compromisso de despachar parecer favorável e propor à Caixa Econômica Federal (CEF) - banco financiador das 297 casas de ardósia construídas em 1991 - outros imóveis em garantia até que a quitação definitiva da dívida seja feita pela companhia londrinense.
‘‘Não é justo estes mutuários esperarem mais 14 anos, quando termina o prazo do financiamento, para terem as escrituras de seus imóveis se eles já pagaram tudo o que deviam, segundo o acordo firmado entre as partes. Eles não devem mais nada. Portanto, devem ter o direito à escritura que estão reivindicando’’, comentou Jannani.
A formalização do acordo da reunião de ontem, com cerca de 50 proprietários das casas, deve ocorrer nos próximos dias, tão logo eles entreguem o requerimento oficial coletivo na Cohab. ‘‘O problema é que a liberação das escrituras não depende somente da nossa vontade. É a Caixa que terá que expedir uma carta liberando o Cartório para o registro definitivo das escrituras. Por isto, vamos propor à CEF a substituição da garantia pelo financiamento. Temos interesse em resolver este caso o mais breve possível’’, afirmou o presidente da Cohab.
A presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Benzoni Vicentini - um dos quatro da zona norte que têm casas de ardósia - , Iracema Ferreira Silva e Silva, considerou satisfatório o resultado da reunião. ‘‘Só estaremos completamente satisfeitos quanto tivermos as escrituras definitivas nas mãos e as baixas nas hipotecas dos financiamentos junto à Caixa. Daí, teremos terminado um sofrimento que começou em 91.’
As casas de ardósia foram construídas pela empresa Central de Mineração, de Santa Catarina, num contrato de experiência com a Cohab em 91. Elas apresentaram muitos problemas estruturais desde o início. O material - muito quente no verão e muito frio no inverno - causou problemas de saúde aos moradores, notadamente às crianças. Laudos de técnicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) indicaram como única solução a substituição delas por alvenaria.
Em 94, foi firmado um acordo entre a Cohab e os donos dos imóveis. Quem pagasse o valor do terreno e trocasse a ardósia por alvenaria em cinco anos ficaria livre do pagamento das prestações e do financiamento junto à CEF. A Cohab, que admitiu o erro da experiência com a ardósia, assumiria esta dívida. Este acordo venceu no dia 18 de fevereiro. Segundo Iracema Silva e Silva, cerca de 80% dos mutuários cumpriram sua parte no acordo e, por isto, reivindicam a escritura definitiva dos imóveis.

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