Proprietários estão calejados
Onze anos foi o tempo que a professora Lucia Helena Buranello levou para terminar a reforma da casa onde mora na Vila Nova, na Região Central de Londrina, há mais de 50 anos. A construção, que era de madeira e pertencia aos pais de Lucia, ganhou estrutura em alvenaria, banheiro, piso e telhado novos. Tudo feito devagarzinho, conforme o bolso da proprietária.
''A idéia era fazer as paredes de alvenaria, trocar o piso e reformar o banheiro sem derrubar a casa. Mas descobrimos uma infiltração no banheiro e não teve jeito, fizemos tudo de novo'', recordou Lucia, que morou numa dependência nos fundos do terreno até que os quartos fossem rebocados. ''Levei tudo o que eu tinha para a casa da minha mãe'', contou.
Como toda obra tem seus percalços, em 11 anos Lucia teve de lidar com cinco pedreiros diferentes. ''Quem começou fez até o telhado, mas pegou outra casa e me abandonou'', lembrou a professora, que foi procurando outros trabalhadores ''aqui e ali'' até conseguir terminar a casa. ''Não foi nada fácil, o ideal teria sido contratar uma construtora'', assinalou.
Para a professora, de um modo geral, ainda falta qualificação aos profissionais londrinenses. Segundo ela, a maioria conta apenas com a experiência de vida. A não ser pelo pedreiro que abandonou a obra, Lucia só buscou novos profissionais porque não gostou do serviço que estava sendo feito. ''Um sempre colocava defeito no que o outro tinha feito e eu no meio, tendo que administrar os egos. Mas no final, ficou bom'', concluiu.
Em muito menos tempo, mas com tamanha dor de cabeça, a veterinária Carolina Marcondes dos Reis terminou sua casa num condomínio fechado de Londrina. Foram dez meses de obras e todas as etapas foram entregues com atraso, como afirmou a proprietária. ''Você encontra vários profissionais querendo trabalhar, mas a maioria entrega depois do combinado, quando não destrói algo seu para esquentar a marmita, por exemplo'', lamentou.
Segundo Carolina, o problema maior foi com o acabamento da casa, quando ela teve de contratar diversos profissionais diferentes como marceneiro, pintor, azulejista, entre outros. ''Levei um calote e decidi que só ia pagar por um serviço depois de pronto'', declarou a veterinária. Para ela, os profissionais deveriam fazer cursos de atualização. ''Muitos fazem um bom trabalho, mas como são desorganizados não ganham tanto dinheiro quanto poderiam. Vi muito isso, eles não sabem administrar o que têm e não conseguem melhorar de vida.'' (M.G.)





