Sid Sauer
Terminaram de forma tranquila os 10 dias de tensão na Fazenda Ouro Verde, em Altamira do Paraná (131 km ao sul de Campo Mourão). Os 40 seguranças que estavam na área desde o dia 3, a pedido do proprietário, Keigo Omori, 68 anos, deixaram o local ontem à tarde. Eles saíram do mesmo jeito que chegaram: num ônibus de turismo. ‘‘A saída foi pacífica’’, comemorou o sargento José Carlos Dias. ‘‘Mas nos três primeiros dias o conflito esteve muito próximo de acontecer’’.
O Fazenda Ouro Verde, que tem 800 hectares e mais de 900 cabeças de gado, está ocupada por sem-terra desde o final de agosto. Os invasores não respeitaram uma liminar de reintegração de posse que foi expedida poucos dias depois pelo Fórum de Campina da Lagoa. ‘‘Mandei os homens saírem porque não quero violência’’, disse Omori à Folha, por telefone. Ele admitiu que ficou com medo após a morte de um sem-terra em Marilena, no final de semana.
‘‘Queria só dar um susto nos invasores’’, contou Omori. ‘‘Pensei que os sem-terra saíssem da área com isso’’. O fazendeiro disse que os seguranças, que ele chama de ‘‘roçadores de pasto’’, vieram do Mato Grosso e São Paulo. ‘‘Pedi para não usarem da violência, mas eles disseram que reagiriam se fossem atacados’’. Omori disse que está disposto a vender a fazenda, mas o Incra não quer comprá-la. ‘‘Vender para mim seria um descanso’’, frisou. ‘‘Minha família está sofrendo’’.
Segundo o sargento Dias, uma viatura da patrulha rural da Polícia Militar deverá intensificar as rondas na área a partir de agora. Um dos objetivos é garantir a segurança de funcionários da fazenda que devem retornar ao trabalho no local. Eles vão cuidar do gado. Omori disse acreditar que mais de 100 cabeças morreram desde que a propriedade foi invadida. ‘‘Somente nos dois primeiros meses morreram 70’’, ressaltou.

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