Proprietário nega ação e responsabiliza governo
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de novembro de 1998
Alexandre Sanches 
O proprietário da Fazenda São Francisco, Morival Favoreto, 42 anos, nega ter autorizado funcionários seus a desocupar à força a propriedade. Por telefone ele disse que estava viajando para São Paulo, onde deixou um irmão doente fazendo tratamento, ao saber do episódio em Querência do Norte.
Não foi usada força nenhuma. Tenho a reintegração e manutenção de posse. Porém, não posso trabalhar a terra que conquistei com o suor do meu trabalho, desabafou.
Favoreto afirmou ter recorrido ao governo do Estado para que a Polícia Militar reintegrasse a área, e obteve o compromisso da ação ser feita após as eleições de 4 de outubro. Acabou a eleição e o governo não fez nada. Tenho compromissos bancários, dependo da agricultura e ninguém faz nada. Esta é uma terra de ninguém.
Sobre a morte de um sem-terra em sua fazenda, evitou comentários, dizendo que ainda não tinha tomado conhecimento dos fatos. Porém, vai tomar todas as providências e pede que a polícia descubra os responsáveis.
Eu procurei todas as autoridades competentes e não tive atendimento. Também não sou louco de querer agir por conta, como estão alegando que eu fiz, defende-se.
Ele salientou que a propriedade é altamente produtiva, inclusive com laudo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e que o governo está sendo omisso nesta questão.
Invadiram minha terra, tomaram meu trator, óleo diesel, venderam peças e maquinários meus e ninguém fez nada. Se alguém tem culpa nisso é o governo, revolta-se Favoretto. Ele ressaltou que não vai dar suas terras de graça para ninguém, como os sem-terra estão querendo.


