O diretor de operação da empresa Momento Engenharia Ambiental, Álvaro Pereira Jorge, admitiu ontem que pode procurar outro terreno para instalar o aterro industrial se não obtiver autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A empresa comprou uma área de 15 alqueires, em Ibiporã, próximo à divisa com Londrina, para construir o aterro, mas vem sofrendo resistência dos moradores.
A empresa adquiriu o terreno mesmo sem autorização prévia do IAP para funcionamento. Segundo Jorge, a escolha da área foi feita após muito estudo. ''O terreno atende a vários requisitos mas se o órgão ambiental não autorizar vamos procurar outro local'', ponderou o diretor.
A empresa é de Blumenau e possui um aterro semelhante nessa cidade há oito anos. Jorge destacou que nesse tempo nunca houve qualquer vazamento na região. ''A empresa vem para resolver um problema existente dos resíduos perigosos. É um local seguro onde você acondiciona esse resíduo tratado'', declarou.
Sobre a possibilidade de contaminação, o diretor destacou ser ''improvável, quase impossível''. Ele justificou que é realizado um trabalho de monitoramento constante e que uma barragem construída em volta garante a segurança. São feitas também coletas de amostras para análise e verificação de vazamentos.
Jorge detalhou que é feito um trabalho de impermeabilização do solo com camadas de geomembrana e argila. Sobre essa camada são depositados os resíduos após passarem por um processo de solidificação com cimento, virando um bloco de concreto. Outra camada impermeabilizante é aplicada e planta-se grama ao final do processo. ''Essa área pode até ser utilizada como lazer'', garantiu.
O IAP continua estudando o pedido de licença para a Momento Engenharia Ambiental. Para o vice-prefeito de Ibiporã, Alberto Baccarin, a vinda do aterro para a cidade é benéfica. ''Ele vem para trazer solução, nunca ia permitir que alguém viesse para cá para causar qualquer problema'', afirmou. Ele destacou que é uma oportunidade para gerar empregos e solucionar a questão dos resíduos tóxicos.
Baccarin, porém, foi cauteloso: ''A empresa só poderá se instalar se provar que a comunidade não vai ter riscos e nem o meio ambiente''. Ele mostrou-se preocupado quanto às informações que estão sendo passadas para a população. ''Estou vendo pessoas assustadas que receberam informações trágicas sobre o que será instalado'', disse.
Para a promotora de Defesa do Meio Ambiente de Ibiporã, Révia Aparecida Peixoto de Paula Luna, é muito importante a realização de audiência pública. ''É necessário que a população seja esclarecida. Não vejo com bons olhos encontros informais com a população'', justificou. Ela solicitou uma complementação do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) porque considerou incompleto o apresentado. ''Não tinha estudo das características físicas do solo nem sistema de prevenção para casos de acidentes ambientais'', exemplificou.
O chefe do IAP, Ney Paulo, informou que ainda não tem data para as audiências públicas mas disse que serão realizadas reuniões entre a população e a empresa. Ele já recebeu a complementação do EIA/Rima e deve encaminhá-la hoje para a promotora.

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