O agropecuarista Horácio Pagano, proprietário da Fazenda Transval, invadida na segunda-feira em Querência do Norte por famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), esteve anteontem à noite na Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, pedindo o apoio da entidade numa solução rápida para o problema. A reunião com parte da diretoria da entidade, contou ainda com a presença do presidente do Movimento Nacional dos Produtores (MNP) no Paraná, Eduardo Baggio, do ex-superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Brazilio de Araújo Neto, e do deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSB).
Na reunião ficou definida a intensificação dos pedidos ao governo do Estado para cumprimento das reintegrações de posse das áreas invadidas. Horácio Pagano estava inconformado com a afirmação do MST de que o laudo de produtividade emitido pelo Incra em 1997 havia caducado. ‘‘O Incra pode vistoriar a fazenda a qualquer momento. Ela é diferente das demais da região, totalmente agrícola e com campos experimentais do Iapar’’, comentou.
Ele afirmou já ter conversado com a governadora em exercício, Emília Belinati, e com o coordenador de Terras e Conflitos de Assentamento no Estado, José Carlos Araújo, mas até ontem não havia recebido nenhuma posição oficial. ‘‘Estou perdendo o milho no pé, deixando de plantar o milho safrinha na área já colhida, de fazer o controle de pragas na soja. O meu ganha-pão está se perdendo’’, desabafou.
Pagano foi impedido de retirar os objetos da casa onde mora na fazenda, pois os sem-terra ocuparam um dos cômodos. Dois funcionários que moram na cidade não podem entrar na fazenda e os sem-terra expulsaram um terceiro funcionário, braço direito de Pagano. ‘‘Estou querendo que os ruralistas se solidarizem com o meu problema. Fazenda de gado invadida é fácil de tirar os animais. Eu não tenho como retirar o meu investimento, que se deteriora com o tempo.’’
O presidente do MNP no Paraná, Eduardo Baggio, disse que o governo é quem tem a força para cumprir as reintegrações de posse. Também afirmou que os ruralistas estão cansados de se reunir com o governador Jaime Lerner (PFL) e ouvir que as reintegrações serão cumpridas. ‘‘Vamos nos mobilizar e cobrar, em todas as oportunidades, até que sejamos atendidos. Não queremos violência e somos a favor da reforma agrária. Mas não aceitamos que este desmando continue no Paranᒒ, afirmou.
Ontem, o superintendente do Incra no Estado, Petrus Imile Ab-Abib, explicou que os laudos de produtividade não perdem validade enquanto o órgão não achar necessário fazer nova avaliação. ‘‘O que o MST está alegando é uma mentira deslavada’’, salientou. Porém, anunciou aos ruralistas que o laudo de produtividade não é eterno e que as propriedades estão sujeitas a novas vistorias.
Petrus Abib também mandou uma mensagem aos sem-terra. ‘‘Eles correm o risco de serem despejados e de não poderem mais participar do processo de reforma agrária em outros assentamentos. Não vamos mais aceitar invasões para forçar a desapropriação de imóveis, principalmente em fazendas produtivas. Os invasores podem não ser assentados no futuro’’, ameaçou.

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