Proprietária doou fazenda a seus escravos em 1886
As terras de 3,6 mil alqueires da Fazenda Paiol da Telha teriam sido doadas pela proprietária, Balbina Francisco de Siqueira, a 11 escravos seus, em 1886, através de testamento inalienável, segundo histórico da comunidade publicado no jornal Paiol da Telha, editado pelo Movimento de Apoio à Comunidade da Invernada do Paiol da Telha (entre eles APP-Sindicato e Comissão Pastoral da Terra). Na década de 70, sob pressão da Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, de Guarapuava, e do delegado Oscar Pacheco dos Santos, os descendentes dos negros teriam sido obrigados a abandonar as terras.
Em 1996 foi fundada a Associação Heleodoro Paiol da Telha, que ingressou com ação judicial para recuperar o imóvel. Em 1965, segundo o jornal, as famílias começaram a ser ameaçadas por João Trinco Ribeiro (falecido). Em 1972 os negros teriam sido expulsos das terras por grileiros, comandados, segundo o jornal, por Trinco e pela cooperativa. Em 1981 a cooperativa entrou com ação de usucapião, contestada pelo Estado. Oito anos depois, o juiz Amoriti Trinco Ribeiro, filho de João Trinco Ribeiro, da Comarca de Pinhão, concedeu à cooperativa a posse das terras. (E.M.)





