Propriedade invadida é premiada
O proprietário da Fazenda São Francisco, Morival Favoreto, é um dos mais prejudicados pela invasão dos trabalhadores sem-terra. A fazenda, de 320 alqueires, estava invadida desde setembro do ano passado por cerca de 20 famílias de sem-terra. Conforme Favoreto, o prejuízo é de R$ 1,15 milhão. Ele explica que quando os sem-terra invadiram a fazenda, a área estava 100% preparada para o plantio de soja. Só faltava incorporar herbicida, o que estava previsto para ser feito em outubro, mas eles invadiram em setembro. Sem poder entrar na fazenda depois da invasão, Favoreto deixou de plantar soja e milho. Eu devia ter colhido 30 mil sacas de soja este ano, mas não colhi nada porque os sem-terra não deixaram eu plantar.
Morival é o pioneiro da região de Querência do Norte no plantio de soja. A primeira lavoura foi plantada em 1990 e, desde então, a fazenda se destaca entre as demais da região onde o que predomina são as pastagens. Já obtive prêmio de conservação do solo pela Emater, diz Morival. A experiência dele e a área preparada para o plantio, entretanto, não impediram a invasão e a ação dos sem-terra.
Conforme o fazendeiro, os sem-terra instalaram uma cancela na entrada da área, impedindo o acesso dele e dos funcionários. Eles não deixavam a gente entrar para fazer o plantio e também não plantaram nada. Resultado, a área ficou abandonada e agora vou ter que gradiar e preparar toda terra de novo.
Além disso, segundo o fazendeiro, os sem-terra levaram 10 mil litros de óleo diesel, 500 sacas de sementes, 2.100 litros de agroquímicos, um trator Walmet 985 traçado, cinco grades, entre outros produtos de uso da fazenda. Até uma casa onde os trabalhadores ficavam na época de colheita foi destruída, diz Favoreto. O fazendeiro afirma que a madeira da casa foi levada pelos invasores. Da sede da fazenda, Favoreto denuncia a perda de todos os aparelhos eletroeletrônicos.
Nos sete meses que ocuparam a fazenda, Favoreto diz que os sem-terra plantaram cerca de 30 alqueires de milho há aproximadamente 90 dias. O plantio foi feito totalmente fora de época e da pior forma possível, assegura o fazendeiro. A lavoura de milho, conforme a Folha constatou, é de baixa qualidade e está infestada de lagarta. Os sem-terra usaram uma plantadeira totalmente inadequada para o plantio do milho. As sementes foram depositadas muito próximas, prejudicando a lavoura porque as espigas não se desenvolvem, explica.
A lavoura de milho vai ser colhida pelo fazendeiro, mas a grande esperança dele é recomeçar o plantio de soja. Já vamos começar a preparar o solo e depois da próxima safra de soja e milho vou fazer a cobertura verde para recomeçar o plantio direto, diz. (L.P.)





