Propostas diferentes de acordo coletivo causam divergências
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de março de 1999
Osmani Costa 
A maioria dos 30 funcionários da agência do banco Banespa, em Londrina, não concorda com a posição do Sindicato dos Bancários de não assinar o acordo coletivo de trabalho relativo a 98/99, que deveria ter entrado em vigor em setembro último, data-base da categoria. Quem garante é a representante dos funcionários da agência junto à direção do Banespa, Janice Maria Pereira.
Segundo ela, a diretoria da entidade sindical se nega a assinar o acordo - Que é necessário e bom para os bancários do Banespa - por motivos estritamente políticos. O acordo assinado com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) tem apenas 86 cláusulas, enquanto que o nosso tem cerca de 200 e é muito melhor. O sindicato não tem o direito de ser contra o que nós decidimos em assembléia interna do banco.
De acordo com Janice Pereira, que é caixa do Banespa há 11 anos, muitos sindicatos de bancários pelo Brasil já assinaram o acordo com a direção do banco, inclusive os de Foz do Iguaçu, Maringá e Paranaguá. O acordo nos garante um ano de estabilidade, favorecimentos para demissão voluntária, regras para o plano de divisão dos lucros e abono de quase R$ 1 mil. Enquanto não assinam o acordo, vale para nós o da Fenaban, que é muito pior, ressalta.
O diretor do Sindicato dos Bancários, Paulo Lima, rebate as críticas da funcionária do Banespa. Segundo ele, cerca de 80% dos 28 mil funcionários do banco paulista ainda estão sem o acordo assinado em todo o país. Eles são da base dos sindicatos ligados à CUT, como o de Londrina, segundo Lima.
Os funcionários do Banespa que pedem a assinatura do acordo proposto pelo banco - que é muito ruim e retira uma série de direitos adquiridos -, estão agindo por interesses individuais mesquinhos, afirma Lima, adiantando que esta forma de pressão não vai fazer a direção sindical cutista mudar de opinião.
Segundo ele, o acordo só será assinado quando for melhorado, principalmente no sentido de se evitar a privatização do Banespa. Estamos na defesa dos interesses da maioria dos bancários. Queremos preservar os empregos e, portanto, não vamos tomar uma decisão de forma afoita, explica Lima.
O dirigente sindical conta que já foram realizadas reuniões de esclarecimentos na agência de Londrina e que uma assembléia específica acontecerá na próxima terça-feira.


