Especial para a Folha
O Grupo Fauna de Proteção de Animais está recolhendo assinaturas, através de um abaixo-assinado, contra o projeto de lei número 153/98, proposto pela Secretaria Municipal da Agricultura, que prevê o sacrifício de animais que perambulam pelas ruas de Ponta Grossa. Pelo projeto, que tramita na Câmara Municipal desde agosto do ano passado, os cães de rua serão recolhidos e mantidos num canil por três dias à espera do donos, caso contrário, serão sacrificados.
Tendo como base dados de outros municípios que adotaram o sistema de castração, o Grupo Fauna apresenta um projeto semelhante como proposta alternativa. Segundo a coordenadora de comunicação do grupo, Isabele Futerko, a idéia é esterilizar os animais encontrados na rua e encaminhá-los para doação. ‘‘Com a castração, o animal fica mais calmo, o que evita brigas e ataques na rua’’, reforça.
O Fauna entende que não existem condições para que a Prefeitura mantenha esses cães em canis. ‘‘Nos lugares em que há espaço, eles acabam virando depósito de animais. Mesmo mortos, para onde irão?’’, questinona Isabele. Em Ponta Grossa, não existe nenhum local para abrigar cachorros recolhidos nas ruas, apenas um Centro de Treinamento Rural, onde são mantidos animais de grande porte, como bois e cavalos.
A secretária municipal da Agricultura, Sandra Queiroz, diz que o sacrifício é uma providência de última instância, caso o animal não seja acolhido por doação ou procurado pelo dono. ‘‘O sacrifício é racional, a partir do momento em que se entende que o dinheiro empregado na manutenção desses animais poderia ser aplicado em programas sociais’’, justifica. Ela esclarece que o projeto se destina a criar uma lei de zoonoses, que Ponta Grossa ainda não tem.
O Fauna já conseguiu duas mil assinaturas, que serão entregues aos vereadores. O objetivo do grupo é eliminar a causa da proliferação dos animais de rua, que é a procriação. Além daqueles que perambulam pela cidade, o projeto do Fauna atinge também os cães de famílias carentes, que não podem pagar pela castração.
O dinheiro para a cirurgia sairia do próprio grupo, que sugere a participação da Prefeitura na divisão dos custos. Isabele acredita que o Fauna, que tem apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária, consiga um total de quatro mil assinaturas.

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