Proposta para o Hospital Londrina recebe críticas
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terça-feira, 04 de novembro de 1997
Lúcio Horta 
Londrina
Mário CésarEm discussãoHospital Londrina de portas fechadas ontem: idéia do Governo Estadual é reativá-lo através de parceria A proposta é uma brincadeira. Parece que o Governo do Estado não conhece a realidade do Norte do Paraná e também de Londrina. A afirmação é da presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Londrina, Ana Maria da Cruz. Ela critica a idéia do Governo Estadual, que quer transformar o Hospital de Londrina, localizado em Cambé, em hospital de referência. A instituição fechou as portas ontem (veja texto nesta página).
Segundo informações dadas pelo próprio governador Jaime Lerner (PFL) e também pelo secretário estadual da Saúde, Armando Raggio, a idéia é formalizar uma parceria entre Governo, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Hospital Universitário de Londrina (HU), prefeituras da região e Instituto Geral de Assistência Social Evangélica (Igase), atual mantenedor do Hospital Londrina. Reaberto, o hospital atenderia apenas pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para a sindicalista Ana Maria da Cruz, não há sentido em gastar dinheiro público para criar um novo hospital de referência, sendo que já existe um na região, o Hospital Universitário, que por sinal necessita de reformas urgentes.
Acho que ele (Lerner) está querendo tirar a responsabilidade de fazer as reformas no HU, aposta a sindicalista. Em vez de o Governo trabalhar uma proposta séria, vem e diz que vai fazer outro hospital. Ana Maria disse que ainda ontem o sindicato se reuniria com o reitor da UEL, Jackson Proença Testa, para tentar buscar melhores informações e para tentar viabilizar uma audiência com Raggio.
O ex-superintendente do HU, vereador Tercílio Turini (PSDB), também ficou apreensivo com a proposta, mas prefere aguardar mais detalhes antes de tirar alguma conclusão. A gente fica um pouco preocupado porque o Estado não tem dado conta dos problemas dos próprios hospitais, diz, lembrando sobretudo do HU, que atravessa sérias dificuldades de atendimento e necessita de reformas urgentes. O Governo uma hora fala que vai liberar as verbas, outra hora fala que não vai mais. É uma lengalenga, define.
Turini afirma que todas as propostas que busquem o aumento do número de leitos na região são bem-vindas, mas estranha que, em vez de tentar buscar recursos para a reforma e ampliação do HU, o governador fale agora em liberar verbas para uma instituição privada. E, se é para ampliar o número de leitos, nada melhor do que investir no HU, onde seriam criados novos 120 leitos com a reforma, diz Turini. Ele observa que a nova proposta até poderia ser uma tentativa de desviar o eixo da discussão, que são as reformas do HU.
Turini destaca também que esta semana continuará coletando assinaturas para um manifesto em favor das reformas e da ampliação do HU. Se até a próxima segunda-feira, dia 10, o Governo não sinalizar com alguma proposta, ele diz, o abaixo-assinado será encaminhado ao Ministério Público. Turini acredita que o Governo poderá ser denunciado por crime de responsabilidade pública.
Além do abaixo-assinado, serão também enviados à Promotoria documentos apontando as dificuldades do HU. Entre eles estão laudos do Corpo de Bombeiros, matérias na imprensa e até cópias de declarações do Governo dizendo que iria liberar os R$ 30 milhões previstos no orçamento de 96 para as reformas do HU. A expectativa é de conseguir até 10 mil assinaturas.
O próprio diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho, também não tem melhores informações sobre a proposta do Governo. Ele conta que o secretário garantiu, na visita que fez a Londrina no final da semana passada, que vai abrir um espaço na agenda para que, ainda esta semana, possa se reunir com todas as partes que seriam envolvidas no projeto para expor melhor a idéia e discutir a viabilidade. A Folha tentou falar ontem novamente com Raggio, para tentar conhecer detalhes da proposta, mas não obteve retorno das ligações.


