A expectativa das mulheres de policiais militares até as 20h30 de ontem era com a chegada da relações públicas da Associação das Esposas e Pensionistas da PM, Maria Conceição dos Santos, que participou da reunião com o governo em Curitiba. Acampadas desde terça-feira em frente ao 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, as mulheres esperavam que Conceição explicasse melhor a proposta apresentada para então decidir se continuavam com o movimento ou não. A maioria, porém, firmou posição – ainda antes de saber os detalhes – de não interromper o protesto. ‘‘Vamos esperar o que a Conceição tem a dizer. Mas quem vai decidir é a maioria’’, disse Elair Beleti, vice-presidente da Associação.
No terceiro dia de protesto, as mulheres enfrentaram o cansaço e o frio com bom humor e disposição. Armaram uma lona na entrada do quartel e dormiram, junto com as crianças, dentro de um furgão estacionado no local. A chuva que caiu até a madrugada de ontem alagou as barracas e molhou cobertores e roupas.
Um grupo de mulheres reteve duas viaturas da PM no Centro de Triagem da 10ª Sub-Divisão Policial (SDP), no centro da cidade. Elas apreenderam as chaves e estão montando guarda dia e noite dentro dos veículos. No pátio do 5º BPM, estão paradas 16 motonetas e cerca de 30 viaturas, entre elas dois ônibus.
Comerciantes da cidade estão doando alimentos, que são preparados em uma cozinha improvisada ao lado do portão de acesso ao batalhão. Elas calculam que os mantimentos sejam suficientes para mais de uma semana. ‘‘A despensa daqui (do acampamento) está melhor do que da minha casa’’, comparou Vera Lúcia Rubbo, uma das integrantes da Associação das Esposas.
O confronto entre a Tropa de Choque e um grupo de mulheres, de manhã, em Curitiba, repercutiu mal entre em Londrina. Afônica ‘‘de tanto falar e por causa do frio’’, Vera Lúcia afirmou que a prisão de duas pessoas não vai abalar o movimento. ‘‘Não vamos levantar acampamento até que a gratificação seja paga’’ - afirmou. Segundo Vera Lúcia, as esposas não vão aceitar nenhuma negociação que não garanta o pagamento imediato das gratificações. ‘‘Não confiamos na palavra do governador’’, reiterou. Ela disse ainda que qualquer decisão sobre o protesto só vai ser tomada se todas as esposas aceitarem.
Na opinião de Neusa Maria dos Santos, a palavra do governador Jaime Lerner é discutível. ‘‘Ele já prometeu mais de uma vez. Quero ver cumprir o que coloca no papel’’, duvidou. ‘‘Não queremos a gratificação para daqui a 60 dias. É para ontem que exigimos’’, disse Neusa.
As mulheres receberam ontem o apoio de representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH), do Sindicato dos Bancários e da Câmara Municipal, que foi representada no local pelos vereadores Elza Correia (PMDB), Sandra Graça (PSB), Márcia Lopes (PT) e Jamil Janene (PDT). O vereador André Vargas (PT) também esteve de manhã em frente ao batalhão.
De acordo com um oficial que não quis se identificar, o movimento das mulheres ‘‘está mexendo com a cabeça de todos os PMs’’. A presença delas no portão do quartel, segundo o oficial, ‘‘é uma demonstração de força difícil de explicar’’.

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