Governo admite assumir algumas obras, que estavam previstas em cont rato, para aliviar as concessionárias
SEM OBRASO secretário Heinz Herwig reconhece que o projeto inicial está prejudicado e que a falta de obras nos primeiros dois anos de concessão obriga governo e concessionárias a rever o cronogramaO impasse na discussão sobre a tarifa do pedágio já apresenta efeitos irreversíveis no desenvolvimento do projeto original do Anel de Integração. O próprio governo reconhece que o comprometimento parcial do programa é inevitável. Em entrevista à Folha, o secretário de Estado dos Transportes, Heinz Herwig, admitiu que será impossível as concessionárias realizarem em 22 anos o volume de obras que estava previsto para os 24 anos contratuais.
Até o momento foram quase dois anos de privatização sem obras de investimento. Heinz lembra que por decisão judicial as concessionárias ficaram livres dos investimentos em grande obras. Diante dessa realidade, o secretário aponta como único caminho a realização de um acordo entre o governo e as empresas.
Esse acordo, no entanto, passa pela revisão do cronograma de obras. ‘‘As duas partes terão que ceder’’, disse Heinz, afirmando que o governo pode reduzir o volume de obras, desde que as concessionárias concordem em discutir os percentuais de reajuste. De acordo com o secretário, no processo de reavaliação do projeto, o governo concorda, inclusive, em assumir algumas obras previstas no contrato. Explicou que isso será inevitável, uma vez que já se passaram dois anos de privatização e as obras não foram realizadas.
Apesar da disposição do governo e das empresas em negociar, já que os dois lados entendem que a única saída é um acordo, a polêmica sobre as obras e o reajuste já dura quase dois anos. Washington Lemos Filho, presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR-PR), confirma disposição dos consórcios em negociar, explicando que a salvação do projeto para as estradas paranaenses depende de um acordo.
O ponto principal no acordo entre o Estado e as concessionárias diz respeito à retomada das obras. Segundo Heinz, independente da forma como seja fechado o acordo, o governo exige que as obras de recuperação das estradas pedagiadas tenha início imediato. Heinz reconhece que algumas concessionárias não estão fazendo o trabalho de manutenção como deveriam, mas garante que as estradas estão em melhor estado do que antes.