Para o presidente do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), José Wilson de Souza, a Prefeitura de Londrina ''interpretou muito mal'' a proposta do Estado para a transformação da Escola Oficina (zona norte) em um local de cumprimento de medidas sócio-educativas a adolescentes e jovens infratores dos 12 aos 21 anos.
A declaração foi dada ontem à noite, depois da conversa que Souza teve com o promotor da Vara de Infância e Juventude de Londrina, Thiago Gerardi, e a secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti. Eles falaram sobre o projeto recusado na última quarta-feira, durante a reunião do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), que determinou a municipalização da Escola Oficina a partir de janeiro de 2004. Na ocasião, foi formada também uma comissão para elaborar uma proposta descentralizada de atendimento do público infrator. ''O adolescente que sai do educandário não está sendo reabsorvido pela sociedade; prova disso são as inúmeras mortes e processos de ato infracional envolvendo-o'', sentenciou.
Souza criticou a forma como o município recebeu a sugestão do governo. De acordo com ele, o que se previa era que o adolescente permanecesse na instituição em período integral e à noite voltaria para casa. Na época, em entrevista à Folha, a secretária Maria Luiza havia dito que essa concentração seria arriscada, já que gangues rivais poderiam ficar juntas no mesmo espaço. ''Pensar dessa forma também é segregação, além de gerar mais gastos'', disse, discordando da descentralização do serviço. ''Em um mesmo centro, há rodízio de equipes; é bem mais fácil suprir toda a demanda'', justificou, sem descartar uma eventual parceria do Estado na empreitada.
Ele avisa, entretanto, que qualquer decisão só será tomada depois que o CMDCA encaminhar o projeto. E já adianta que, sozinho, o município não dará conta da situação. ''A violência envolvendo o jovem e o adolescente só será resolvida quando a sociedade civil organizada quiser, e se fizer algo a respeito'', frisou. A secretária Maria Luiza foi procurada pela reportagem, mas não quis comentar as declarações de Souza.

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