Proposta é apelativa, mas válida, opina médico
Curitiba - O diretor-geral da Santa Casa de Curitiba, Carlos Seara Filho, acha a proposta do vereador "muito apelativa" como estímulo para aumentar o número de doadores. Concorda, no entanto, que a iniciativa é válida como uma compensação pela nobreza que é a doação de órgãos. "Vejo como um pequeno reconhecimento por um grande gesto. Acho justo o Estado (poder público) prestar esse agradecimento a um gesto nobre que é feito em uma hora de dor ", afirmou ele.
Apesar de o Paraná ter ocupado o segundo lugar no ranking nacional de transplantes, em 2007, Seara Filho afirma que o Estado ainda está longe de uma posição confortável em relação à disponibilidade de órgãos. "A captação ainda é muito baixa", acrescentou ele. O médico defende que a sensibilização da sociedade é a altenativa mais eficaz para mudar esse quadro. "Temos que conscientizar as pessoas para que expressem em vida a vontade de ser doador", destacou. Ele entende que isso facilitaria, inclusive, a abordagem dos profissionais de saúde aos familiares de possíveis doadores.
Segundo informações da assessoria de imprensa, a Santa Casa de Curitiba é, atualmente, a instituição que mais realiza transplantes de coração em adultos no País. Em 2007, foram 26 transplantes, sendo que até julho deste ano já foram realizadas mais 15 cirurgias. Desde 1994, quando a Santa Casa de Curitiba realizou o primeiro transplante desse órgão, 106 pacientes receberam um coração novo no hospital.
Estrogildo Hanemann, 58 anos, foi um desses pacientes que ganharam um novo coração, depois de ficar cerca de um ano e dois meses na fila do transplante. Com a vivência de quem já sentiu na pele a dificuldade de esperar por um doador, ele elogiou a proposta do auxílio-funeral. "Acredito que vá melhorar o número de doações e vai representar uma ajuda importante para as pessoas de baixa renda que, além do gesto humanitário, têm que arcar com as despesas do enterro, que são elevadas", opinou.
Hanemann conta que conheceu a mãe do doador, um rapaz de 21 anos que morreu em um acidente de moto. "A família que doou é de pessoas humildes", lembrou ele. Um ano depois de ganhar uma nova vida, Hanemann promoveu um encontro entre os receptores dos órgãos e familiares do doador como um gesto de agradecimento.
Levantamento da Central de Transplantes do Paraná mostra que, de janeiro a agosto deste ano (último dado disponível), foram realizados 908 transplantes de órgãos e 1.392 transplantes de tecidos e medula óssea em todo Estado. Em 2007, os números foram 1.314 e 1.574, respectivamente: 27% a mais em relação ao ano anterior. Até maio, havia 4.587 pessoas na fila do transplante. A maior parte à espera de rim (2.501) e córneas (1.578).(A.L.)





