Proposta do Ippul causa polêmica
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
Osmani Costa De Londrina 
Profissionais ligados ao urbanismo e defesa do meio ambiente reagiram à proposta de alteração no Plano Diretor (PD) feita pelo Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), que pretende mudar de zona residencial para zona especial de esportes algumas áreas próximas aos fundos de vale, que são de preservação ambiental permanente.
Para embasar o debate sobre a proposta de mudança, o Ippul iniciou na semana passada uma pesquisa de opinião com cerca de 150 moradores vizinhos ao Zerão, área pública de lazer no centro da cidade que conta com campos de futebol, parque infantil, anfiteatro, pista de cooper e quadras poliesportiva. O projeto de alteração do atual PD, em vigor desde 98, terá que ser discutido no Conselho Municipal de Planejamento Urbano, antes de ir à votação na Câmara.
A pesquisa junto aos moradores é válida; afinal serão eles os diretamente prejudicados se a mudança gerar problemas no futuro. Mas só esta consulta não basta para liberar o projeto proposto. É necessário um estudo sério e aprofundado sobre as consequências da alteração, afirma o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura, Cloves Bohrer Filho. Ele defende a realização de um Relatório de Impacto Ambiental (Rial), previsto pelo Plano Diretor, antes da aprovação da mudança pelos vereadores.
De acordo com o diretor de Planejamento do Ippul, José Adalberto Azevedo, esta mudança no zoneamento permitiria a construção de prédios para o funcionamento de novas academias de musculação e escolas de dança. Segundo ele, vários empresários deste ramo já demonstraram interesse em ampliar seus negócios nas proximidades do Zerão, que é cortado pelo Córrego do Leme. Azevedo defende que a mudança passe a valer não só para o Zerão, mas também para áreas próximas a outros fundos de vales da cidade.
Esta generalização é perigosa; não concordamos com ela. No Zerão, que já conta com outros empreendimentos deste ramo e tem uma forte tendência para este uso, até que a mudança poderia ser possível, depois dos estudos. Mas estabelecer a alteração de forma automática para outras regiões não é correto, critica Cloves Filho. Ele ressalta que a maioria dos outros fundos de vale tem características mais residenciais que o do Zerão.
Outro que não concorda com a mudança sem um debate mais técnico e aprofundado é o secretário do Instituto para Estudos e Conservação Ambiental, o agrônomo Efraim Rodrigues. As administrações municipais de Londrina, ao longo dos anos, têm cedido muito às pressões empresariais; que normalmente são prejudiciais ao gerenciamento das questões ligadas ao meio ambiente e às condições de vida da população, comenta.
Na opinião de Rodrigues, que é professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), as mudanças realizadas nas últimas décadas nos fundos de vales como a instalação de quadras com cimento no Zerão estão colocando em risco o maior patrimônio da cidade. Nossa cidade é privilegiada pela quantidade de fundos de vales. Mas a falta de uma política ordenada e séria para a preservação deles tem trazido consequências muito ruins. Eles estão, na maioria, invadidos ou mal cuidados. E agora querem, por pressões comerciais, fazer novas mudanças. Isto é absurdo.


