O Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv) apresentou ontem ao prefeito Jorge Scaff (PSB) uma proposta de reforma administrativa que poderia resultar em uma economia de até R$ 4 milhões até o final do ano para o município. A proposta abrange um corte de 30% na Frente de Trabalho (FT), que hoje emprega 2.178 pessoas e consome R$ 7 milhões ao ano. O sindicato acredita que somente com a FT a prefeitura poderia economizar R$ 213 mil ao mês.
A comissão de servidores também propõe a extinção de 42 cargos comissionados que, segundo o Sindserv, custam R$ 172 mil mensais à prefeitura e somariam R$ 1 milhão até o final do ano. Outra sugestão é a revogação do perdão concedido pelo ex-prefeito Antonio Belinati a 40 mil contribuintes que devem até R$ 1.250 em Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A cobrança desses tributos proporcionariam ao município uma arrecadação de R$ 13 milhões. Outra medida de contenção de gastos seria o fim do repasse de verbas para entidades e clubes como o Londrina Esporte Clube (LEC) e a Sociedade Rural do Paraná.
O estudo foi elaborado por 12 servidores municipais de carreira e o técnico Murilo Barella, do Departamento de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese). A proposta prevê a extinção de cinco secretarias municipais, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), a Fundação Municipal de Esportes e Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Com isso o número de secretarias municipais seria reduzido de 20 para 13. (ver quadro nesta página).
O presidente da comissão, Moisés Silva Júnior, técnico em planejamento e assessor da Secretaria de Governo, disse ainda que o estudo revela que a CMTU (antiga Comurb) deveria passar por uma reestruturação com o objetivo de enxugar seus 26 cargos comissionados. A Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) seria transformada em Secretária do Comércio e Turismo, o que eliminaria 10 cargos em comissão.
A comissão ainda propôs a revisão do contrato sobre a coleta de lixo com a Vega Ambiental, fim do contrato de manutenção e abastecimento da frota de veículos oficiais com a Rodoticket, fim de estágios remunerados e até concentratação do cafezinho nas cantinas. Moisés Silva Júnior disse que a prefeitura gasta 75% de seu orçamento com folha de pagamento. Para se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal, precisará gastar no máximo 54% da receita líquida com pessoal. ‘‘A prefeitura teria que reduzir esse gasto para 45% para ficar em situação tranquila’’, analisou.
Segundo o relatório entregue ontem à tarde ao prefeito Jorge Scaff, na análise e na proposta d comissão ‘‘está sendo feita uma precisa indicação dos cargos que podem ser extintos e dos que podem ser mantidos’’. Mas segundo Moisés Silva Júnior, os cortes e demissões ficarão a cargo do prefeito. ‘‘deixamos a critério da administração’’, disse ele.
O Sindserv também entregou uma lista com 53 nomes para que o prefeito avalie a necessidade de manter esses funcionários. Entre eles está Lucindo Carli Loures, que chegou a carregar uma cruz em frente ao Fórum contra as ações que resultaram no afastamento do prefeito cassado. A presidente do sindicato, Marlene Valadão de Godoi, afirmou que Jorge Scaff se mostrou interessado na proposta de redução de gastos e pediu uma semana de prazo. ‘‘Precisamos avaliar se realmente há interesse e vamos esperar essa semana’’, afirmou.
Logo após receber a proposta de reforma administrativa, Jorge Scaff disse que ainda não havia lido o documento e não poderia opinar sobre as mudanças defendidas pelo sindicato. ‘‘Eles se propuseram a colaborar e vou tirar muito proveito. Nós vamos trabalhar de acordo com essa orientação. Tudo aquilo que trouxer benefícios para o município vou seguir e o que tiver cunho político vou descartar’’, adiantou. Scaff disse ainda que tem conhecimento de que muitos funcionários da FT não trabalham e alegou que irá verificar as denúncias.

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