Proposta de concorrente do lixo desaparece
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segunda-feira, 15 de abril de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
O processo de licitação para execução do serviço de coleta de lixo em Londrina, que já dura nove meses, ficou ainda mais comprometido ontem. A abertura do envelope com a proposta financeira do Consórcio CGC/Cima - formado pela CGC, de Piracicaba (SP) e Cima, de Cascavel (PR) deveria ter acontecido ontem, mas teve que ser adiado. Isso porque o documento não foi encontrado. A abertura deveria ter sido feita pela comissão de licitação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) conforme determinação judicial.
O presidente da comissão, Marcos Antonio Bacarin, argumentou que o envelope foi devolvido, por via postal, aos representantes do consórcio no dia 9 deste mês. O escritório de advocacia Graça, Ferreira & Vieira, que assessora o consórcio, informou que seus clientes não receberam o documento e o devolveram à comissão imediatamente.
Os advogados Luciano Rocha Loures de Paiva e Celso Nogari disseram que a não abertura da proposta do consórcio configura desobediência a uma ordem judicial por parte da comissão de licitação, já que o presidente da CMTU, Wilson Sella, havia sido intimado no dia 5 de abril. Eles também asseguraram que o consórcio apresentou documentos que comprovam sua aptidão (para executar o serviço).
O consórcio havia sido inabilitado - por não atender às exigências quanto aos atestados técnicos - pela comissão mas obteve liminar na 5ª Vara Cível de Londrina, em 27 de março, garantindo a abertura do envelope com a sua proposta financeira. Ontem, o desembargador Mendonça de Anunciação, do Tribunal de Justiça do Paraná, não acatou o agravo de instrumento interposto pela CMTU e manteve a determinação do juiz da 5ª Cível, Alberto Veloso Júnior.
Sella disse que a presidência da comissão de licitação tem certa independência da presidência da CMTU. Por isso, afirmou, quando assinou a intimação o envelope com a proposta financeira já havia sido enviado, tanto para o Consórcio CGC/Cima quanto para a Fossil, outra empresa inabilitada que também participou do certame.
Para Bacarin, o sumiço da proposta é um fato anormal. Mas ele destacou que depois que (o envelope) saiu da comissão deixou de ter valor jurídico. Os envelopes contendo as propostas das empresas são lacrados e rubricados por todos os membros da comissão e pelos representantes das empresas participantes do certame. Bacarin afirmou que apenas seguiu a legislação ao devolver o envelope. A comissão liberou também a caução de 1% do valor total do contrato, que é de R$ 39 milhões para o prazo de cinco anos.
Afora o problema com a CGC/Cima, a comissão analisa ainda um recurso impetrado na última sexta-feira pelo Consórcio Copama, vencedor da licitação. Conforme Bacarin, o consórcio questiona que a comissão deveria ter desclassificado a Vega Engenharia Ambiental porque a empresa teria apresentado proposta diferente do edital e não teria detalhado sua planilha de preço juntamente com sua proposta. A Vega também questiona o resultado da licitação.


