Um ano depois das eleições municipais, a propaganda política ainda está espalhada por Londrina. Os muros pintados com os nomes dos candidatos são encontrados em diversas partes da cidade. Para os moradores, a publicidade eleitoral é uma poluição visual e deixam os bairros feios. A legislação prevê que os políticos são obrigados a retirá-la. Pouca gente, no entanto, sabe que tem o direito de exigir a limpeza, responsabilidade dos políticos.
Enquanto alguns proprietários cobram para ter o muro pintado, outros liberam a propaganda por amizade ou troca de favores com os candidatos. Este é o caso da dona de casa Ana de Oliveira Cândido, 64 anos, moradora do Jardim Interlagos (Zona Leste). Ela conta que teve apoio do então candidato para pagar a conta de água um período antes da votação. Em troca, cedeu espaço no muro da casa dela. Hoje, está arrependida.
''Quebrei um galho para ele, já que ele me ajudou. Só que ele ficou de pintar o muro de novo mas nunca fez o serviço. Nunca cobrei nada de ninguém. Não vou deixar mais pintar, não'', enfatiza. Porém, logo depois, muda de idéia: ''Só deixo se for para me ajudar, se pagarem'', acrescenta.
Combinar que o muro será pintado depois do período eleitoral é praxe. Mas parece que descumprir o trato também faz parte de uma rotina. De acordo com Osvaldo Ferreira dos Santos Júnior, 18, morador do Jardim Castelo (Zona Leste), o espaço foi cedido por amizade. ''Só que hoje o candidato passa por aqui e finge que nem vê. E ele tinha prometido pintar. O muro era branquinho. Agora ficou essa coisa feia'', lamenta Júnior.
A poluição visual deixada para trás é consequência do descumprimento da legislação eleitoral. O artigo 85 da Resolução 21.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece que a retirada da propaganda deve ser feita até 30 dias após a votação.
''Se o proprietário sentir-se prejudicado pode acionar a Justiça Comum para que a propaganda seja retirada'', alerta o chefe do Cartório Eleitoral, Edilson Queiroz da Silva. Por ser posterior à eleição, não pode, no entanto, ser considerada propaganda fora de época.
Como os muros cedidos aos candidatos ficam em áreas particulares, não há fiscalização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). ''São leis específicas para os períodos de eleição. O que deve ser feito é o cumprimento da legislação existente'', afirmou o diretor de trânsito da companhia, Álvaro Grotti Júnior.
Enquanto as propagandas resistem e novas eleições aproximam-se, o que resta aos proprietários dos muros é a indignação. ''O candidato pediu e eu deixei. Ele prometeu que ia refazer a pintura e não cumpriu. Agora, a cidade fica feia. Acho que os políticos deveriam ter um pouco mais de responsabilidade'', critica a costureira Aparecida Eunice Mineiro, 53, moradora do Jardim Interlagos (Zona Leste).

mockup