Ofensa à população de Londrina e ''tentativa deseperada'' de mostrar as obras do governo em fim de mandato. É dessa forma que as atuais propagandas veiculadas pela Prefeitura de Londrina na mídia têm sido classificadas por alguns vereadores. O assunto deu a tônica à sessão de ontem na Câmara, quando um deles sugeriu até fosse movida ação contra o prefeito.
''Quer dizer que se o morador de um dos extremos da cidade não vê as obras que estão sendo feitas em outro é uma anta, um mané?'', questiona o vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB). Responsável pela ameaça de processo, ele se refere aos comerciais nos quais um personagem se autocondena com esses termos por não estar vendo alguns empreendimentos do poder municipal. ''Se a Procuradoria Jurídica da Câmara der o aval, entro com processo'', avisou.
Para o vereador Rubens Canizares (PHS), que também considera os termos ''pejorativos e desrespeitosos ao cidadão londrinense'', o suposto mau gosto teria ainda outra finalidade. ''É uma tentativa desesperada de mostrar o que vem sendo feito'', alfinetou.
Outro ponto levantado foi o número de casas 100 divulgado em uma dessas inserções publicitárias. Em pedido de informações enviado ao prefeito Nedson Micheleti (PT), no último dia 3, o vereador Carlos Alberto Bordin (PPB) questionou quais as obras, onde foram realizadas e quanto custaram. No ofício, o prefeito encaminhou uma relação de 82 obras públicas executadas e fiscalizadas pela Secretaria Municipal de Obras entre 2001 e 2003. ''Isso é propaganda enganosa'', disse Bordin.
A líder do prefeito na Casa, a vereadora Márcia Lopes (PT), disse não estar preocupada com as suposições. ''Não se pode dar importância só à quantidade, mas também à qualidade'', resumiu. Quanto à questão das ''ofensas'', tentou minimizar. ''Se as propagandas não estiverem agradando, a empresa que as criou tem que analisar e tomar providências.''
Para o chefe do Núcleo de Comunicação da Prefeitura, Luciano Bittencourt, não houve intenção de atacar a integridade das pessoas. ''Estamos apenas usando de bom humor para elevar a auto-estima da população'', justificou. Quanto ao número de obras, a assessoria apurou que, na resposta a Bordin, não foram computadas as casas feitas pela Companhia de Habitação (Cohab).

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