Propaganda enganosa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de agosto de 2002
Telma Elorza<BR>Reportagem Local 
Aninha é uma moça pequenina, do tipo mignon. Seus traços finos e belamente modelados lhe dão um ar angelical, doce e meigo, que conquista a todos à primeira vista. Principalmente, quando encara seu interlocutor com os olhos castanhos escuros que, grandes, se destacam no rosto. Tudo nela aparenta ser suave e delicado. Os irmãos mais velhos, porém, a chamam carinhosamente de 'propaganda enganosa' parece mas não é.
Quem a conhece mais profundamente sabe que sua mente fértil é capaz de imaginar inúmeras traquinagens, que seu temperamento explosivo não tem nada de suave e que possui um vocabulário de fazer corar um estivador. Uma amiga disse-lhe, certa vez, que ela 'conversava como homem em boteco de quinta categoria'. Desde criança, Aninha foi a alegria e o desespero da mãe, que, com todo seu esforço, não conseguiu reprimir esse seu 'lado obscuro'. Apesar de tudo isso, o maior defeito de Aninha é a distração. Um dos sobrinhos afirma que ela possui um dispositivo que, quando acionado provavelmente, por controle remoto lhe cutuca o cérebro fazendo dar as maiores mancadas.
Naquele dia, Aninha saiu de casa para ir a igreja sim, ela é religiosa (isso, pelo menos, a mãe conseguiu) e chegando ao local, encontrou a vaga de sempre já ocupada. Estacionou seu carro, um Ford Ka vermelho duas portas (atenção esses detalhes, são fundamentais para o desenrolar da história), um pouco mais adiante e foi fazer suas orações.
Como sempre, saiu da igreja enlevada. Só que, dessa vez, saiu também como diria o sobrinho com o dispositivo acionado. No automático, foi direto para o local onde costuma estacionar o carro. Pra piorar a situação, um amigo resolve telefonar para o celular de Aninha justamente naquela hora. Com o telefone em uma das mãos e a chave do carro na outra, tentou abrir a porta do veículo. Nada. Conversou mais alguns segundos e tentou de novo. A chave não entrava. Ficando já um pouco irritada, Aninha resolveu tentar a chave na porta traseira do carro. Não abriu. Despediu-se do amigo, e forçou de novo a porta de trás.
Já sem paciência alguma (nessas alturas seu enlevo com a missa já tinha ido para o espaço), soltou o verbo e desfiou um rosário de palavrões os piores que conhecia acompanhado por um bom chute na porta do carro. Foi quando ouviu alguém chamando atrás de si. Virou-se e deu de cara com um rapaz, que parecia muito assustado. 'Moça, esse carro é meu', desculpou-se. Chamada a razão, Aninha olhou de novo para o carro que estava tentando abrir. Lógico que as portas não abririam com sua chave. O veículo era um Fiat Palio verde quatro portas zerinho e que agora estava com um belo amassado em uma das portas de trás.
Aninha pagou o maior mico e ainda teve que pagar o amassado. Nem seus belos olhos castanhos a salvaram. Mas o pior, segundo ela, depois de tudo acertado com o dono do Palio, foi ser observada por ele entrando calmamente no seu próprio carro, que não tinha nada ver com o outro.


