James Alberti
De Curitiba
A leitura da sentença de pronúncia da juíza Anésia Edith Kowalski, responsável pelo Fórum de Guaratuba em 1992, causou espanto ontem no quarto dia de julgamento dos acusados do assassinato do menino Evandro Ramos Caetano. Segundo o assistente de acusação Cláudio Dalledone, no documento Anésia reconhece de forma contundente que o corpo seria de Evandro e que Osvaldo Marcineiro, Vicente de Paula Ferreira e Davi dos Santos Soares teriam participação no homicídio. Os três são julgados pela autoria do crime. Evandro desapareceu aos 7 anos, no dia 6 de abril de 1992 e teria sido morto em um ritual de magia negra no dia seguinte, em Guaratuba, litoral do Estado.
Dalledone afirmou ainda que a juíza teria afastado a possibilidade de ter havido tortura dos acusados, que teriam gerado diversas confissões, tese defendida pelo advogado de defesa Álvaro Borges Júnior. A mesma tese foi a base da defesa no primeiro julgamento, quando foram inocentadas Beatriz e Celina Abagge, acusadas de terem encomendado o ritual de magia negra para melhorar a situação financeira das empresas da família.
Borges Júnior discorda de Dalledone e da juíza. Segundo o advogado de defesa, com base nas fitas de vídeo exibidas pela acusação, pode-se comprovar as torturas. O advogado de defesa também contesta a afirmação de que o corpo seria de Evandro. Para ele, isso não ficou provado no primeiro julgamento, fato que levou o júri a absolver as Abagge. O julgamento prossegue hoje e a previsão é que deve durar 15 dias.

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