"Antes eu só tirava o pó do computador, tinha medo até chegar de perto e quebrar." Mas a relação da aposentada Valdívia do Carmo Buki com a máquina teve um avanço e tanto depois que ela resolveu se matricular em um curso de Informática Básica, promovido gratuitamente pelo Projeto Comunitário, iniciativa que existe há 12 anos no campus londrinense da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR). "Agora já consigo mandar meus e-mails e ver minhas receitas. Ah, estou encantada com o Google, que maravilha, né! Também já consigo escutar músicas e minhas faxinas agora rendem que é uma beleza", vibrou a aposentada, que recebeu o certificado em cerimônia de formatura realizada ontem para ela e mais 70 colegas, todos idosos e moradores das redondezas do campus, na zona oeste de Londrina.
Durante a cerimônia era visível o semblante de satisfação de todos. Para eles, é uma vitória pessoal. De quem via a tecnologia se aproximar aos olhos a cada dia, mas acreditava que não teria capacidade de se adaptar. Como o aposentado Odilon Gomes da Silva, que viu a vida ganhar um novo sentido depois dos 70 anos. "A gente está provando que nunca é tarde para nada na vida. Eu, por exemplo, comecei a estudar música aos 70 anos, já me formei, e agora estou mergulhando nesse mundo da informática. Para mim, é uma grande novidade que me faz querer ainda mais", declarou.
Português nato e morador de Londrina desde 1984, Artur Alves já tinha um bom conhecimento de informática, mas aproveitou o curso para se atualizar e conhecer as redes sociais. É por meio delas que ele agora consegue matar a saudade dos parentes que ficaram na Europa. "É a descoberta de um novo mundo, que eu sabia que existia na teoria, mas na prática não conhecia. Foi muito importante", contou.
Dono de uma capacidade incrível de interagir, o português diz estar contagiado pelo prazer de conhecer o mundo da informática e já faz planos. Que vão além da informática. "Estou pensando em fazer Filosofia. Sou hiperativo e isso me impulsiona a buscar coisas novas", revelou. "E sabe o que vou fazer final de semana? Vou pegar o ‘smartphone’, que está com minha filha, e ‘mergulhar’ nele. Tenho até medo, mas sou disciplinado e vou me controlar", falou o aposentado, que continua trabalhando como segurança industrial.
As aulas foram ministradas por 13 acadêmicos dos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Direito, Engenharia de Produção e Teologia inscritos no Projeto Comunitário, sempre aos sábados (duas turmas) e quintas-feiras (uma turma), durante um semestre.
E foi um grande aprendizado também para quem comandou as aulas. "Além de conhecer, acaba tornando uma grande família. Cada aula é uma história diferente e isso nos faz crescer também", ressaltou a estudante do terceiro ano de Engenharia de Produção, Claudia Morandin, uma das professoras do curso. "Foi gratificante, uma experiência única. No começo, a gente fica um tanto assustado pela responsabilidade, mas o prazer de vê-los aprendendo e ver que você fez a diferença é algo marcante", completou Maria Gabriela da Silva, que cursa o segundo ano de Ciências Contábeis.

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