Pronto-socorro: não há vagas
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Ontem foi um dia de caos nos pronto-socorros de Londrina. Superlotados, muitos pacientes receberam atendimento em cadeiras e foram internados em macas para não voltarem para casa. Cirurgias foram canceladas. O problema teria ocorrido em função das mudanças no clima. Mas o fechamento do Posto de Saúde José Belinati, no final de abril, e a paralisação dos servidores do Hospital Universitário e Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina também teriam contribuído para agravar a situação. O pronto-socorro (PS) da Santa Casa suspendeu o atendimento pela manhã e manteria a medida até às 20 horas, quando haveria nova avaliação. Com 18 leitos no PS, no final da tarde, 66 pacientes estavam internados e outros 14 estavam em atendimento.
O chefe-administrativo do PS da Santa Casa, Rovilson Freires da Silva, apontou que o aumento de demanda vinha desde o início do mês e ontem atingiu seu pico. As doenças climáticas, segundo ele, têm grande peso. Ele citou também que o hospital absorveu parte do atendimento que era feito pelo Posto de Saúde José Belinati, fechado para reforma há cerca de 10 dias. Temporariamente, os usuários estão sendo atendidos em um prédio na Rua Ouro Preto. Silva comentou que, embora tenha recebido pacientes do HU, a paralisação dos servidores não foi a causa da suspensão do atendimento.
Em razão da superlotação, dois pacientes aguardavam na sala de emergência vagas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Silva afirmou que até às 20 horas o hospital readequaria os pacientes internados para tentar liberar mais leitos. Ele garantiu que os casos graves e os encaminhados pelo Siate foram atendidos e instruiu a população a procurar postos de saúde e outros hospitais antes de ir para a Santa Casa.
No Hospital da Zona Norte (HZN) a situação é ''sempre catastrófica'', informou um médico. Atendendo até 280 pacientes por dia, ontem não havia camas nem macas disponíveis e alguns pacientes foram atendidos em cadeiras. O diretor-clínico do HZN, Márcio Próspero, disse que a superlotação é constante mas afetava principalmente os pacientes graves que aguardavam remoções através da Central de Leitos. A paralisação dos servidores teria interferido na remoção.
No Hospital da Zona Sul (HZS), a solução foi suspender de hoje até segunda-feira as cirurgias eletivas. ''O atendimento está até 60% além do normal desde o início do mês e, com isso, conseguimos mais 12 leitos'', justificou o diretor-administrativo, Elzo Carreri. Ontem à tarde, 13 pacientes estavam internados no PS por falta de vagas na enfermaria. Ele disse que, além das doenças típicas da época, muitos pacientes não procuram os postos e seguem direto para o HZS.
O superintendente do HU, Francisco Eugênio Alves de Souza, garantiu que os casos de urgência, emergência e os levados pelo Siate não foram recusados e que alguns pacientes foram remanejados para outros hospitais. Até às 17 horas de ontem, 83 pessoas haviam passado pelo PS. (Leia mais sobre a paralisação no primeiro caderno)


