Ney de SouzaAgônicoAté ontem o hospital atendeu os casos mais graves e a partir de amanhã desativará gradativamente a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) à medida que os pacientes tiverem alta A Santa Casa Monsenhor Guilherme de Foz do Iguaçu anunciou ontem à tarde em um nota oficial que a partir de amanhã as atividades do pronto-socorro serão encerradas definitivamente. Além disso, a nota também informa que as vagas da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) serão desativadas à medida que os pacientes receberem alta. A situação do hospital é crítica e nem mesmo os casos de urgência e emergência serão atendidos.
Segundo o Comitê de Transição da Irmandade da Santa Casa, que assina a nota, as causas para o fechamento são a grave situação financeira que o hospital enfrenta, esgotamento do estoque de medicamentos e materiais de consumo e o grande número dos encaminhamentos de procedimentos.
A situação da Santa Casa vem se agravando desde o ano passado. Em janeiro deste ano, a direção do hospital ameaçou romper o convênio que mantinha com a prefeitura para atendimentos de urgência e emergência. O hospital alegava que 90% dos procedimentos atendidos eram básicos e fugiam do acordo firmado com a prefeitura. No mesmo mês, a Nefroclínica, única que atendia pacientes renais na região, ameaçou se desligar do hospital por falta de repasse dos recursos enviados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) à clínica. Em fevereiro, os funcionários da Santa Casa fizeram greve de sete dias por atraso no pagamento dos salários.
A Folha procurou o comitê ontem à tarde, mas o encarregado para falar sobre o assunto, Hélio Avelar Teixeira, disse que só iria se pronunciar sobre o caso hoje. O secretário municipal de Saúde, Sadi Buzanello, também não atendeu a reportagem. A secretária dele informou que Buzanello só vai falar sobre o fechamento do pronto-socorro depois de uma reunião entre a Secretaria e o comitê. A reunião estava marcada para ontem à noite.
Em reunião anterior entre os dois órgãos, os membros do comitê entregaram um documento de 11 páginas, onde o grupo afirma que seria responsável pelo fechamento da Santa Casa, mas que também tem poderes para analisar alternativas que possam reverter a decisão tomada em assembléia no dia 19 de março.
O pronto-socorro da Santa Casa é o mais importante da região e realiza cerca de 1,6 mil procedimentos mensais. O hospital oferece 85 leitos para pacientes do SUS e seis vagas na UTI.
O Hospital Costa Cavalcanti, que também tem um pronto-socorro, mas com estrutura menor que o da Santa Casa, não tem credenciamento ambulatorial pelo SUS para atendimentos de urgência e emergência.
O administrador do hospital, João Gilberto Chagas, disse que se o pronto-socorro da Santa Casa fechar, o Hospital Costa Cavalcanti não terá condições de atender todos os pacientes de emergências e urgências. ‘‘Vamos ficar numa situação difícil porque não teremos condições físicas para atender à demanda’’.

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