Pronto Socorro do HU volta a ficar superlotado
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terça-feira, 03 de março de 2009
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de Londrina e região que precisam de atendimentos de urgência e emergência enfrentam há dois dias um verdadeiro drama nas dependências do Pronto Socorro (PS) do Hospital Universitário (HU) de Londrina. Acomodados em macas e cadeiras, pacientes que apresentam os mais variados problemas de saúde dividem o mesmo espaço do hospital, enfrentando o incômodo da superlotação. O PS, que tem capacidade para 26 pacientes, abrigava na tarde de ontem 57 pessoas. Quatro pacientes graves aguardavam vaga na UTI. A noite de segunda-feira foi ainda pior: 72 pacientes ocuparam todas as macas do hospital.
O gerente de depósito Paulo Odair Bigheti, 44 anos, morador de Ibiporã (Norte), apresenta um quadro de cálculo renal e aguarda por uma cirurgia. Ele está desde domingo dormindo no corredor. Cansado e abatido pela dor, na tarde de ontem Bigheti também perdeu o leito e a possibilidade de manter-se deitado. ''Na maca a gente acaba não dormindo porque é muito quente e muita gente passando, mas até isso me levaram'', lamentou. Ele precisou ceder a maca para um paciente mais grave.
A funcionária pública Sueli dos Santos, 40, não chegou a ficar nos corredores, mas como não havia vaga na ala feminina, precisou aguardar atendimento para uma fratura no pé no setor de moléstias infecciosas. O maior problema, porém, foi o vai e vem antes da cirurgia. ''Fraturei o pé na noite de domingo, fui para o Hospital da Zona Norte mas o aparelho de raio-X estava quebrado; me transferiram para cá e depois voltei pra lá. Fui transferida para o HU novamente para fazer a cirurgia, que só aconteceu às 8h da manhã de segunda. Foram mais de 12 horas esperando com uma fratura exposta'', detalhou Sueli, que recebeu alta ontem.
Para o superintendente do HU, Francisco Eugêncio Alves de Souza, o aumento do número de acidentes de trânsito, além dos altos índices da violência urbana noticiados pelo mídia frequentemente têm sido algumas das principais causas da superlotação. Souza acredita que o problema só poderá ser resolvido com o aumento do número de leitos na enfermaria do hospital.
A capacidade de 26 leitos no PS deve ser mantida até meados de abril, quando o novo Pronto Socorro deve ser inaugurado, com 50 leitos de abordagem e triagem. Ao todo a enfermaria do hospital possui 109 leitos, mas o superintendente afirma que o ideal seria o dobro desta capacidade. ''Se tivéssemos pelo menos mais 100 leitos na enfermaria o problema da superlotação poderia ser solucionado. O PS não é lugar de se manter pessoas internadas, mas com a realidade que estamos vivendo hoje em dia, não temos outra alternativa'', disse. Souza pede que a população evite procurar o HU, pois estão sendo priorizados os atendimentos de urgência e emergência.


