Promotorias apuram falta de creches
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Benê Bianchi 
O Ministério Público, através da Promotoria da Infância e da Juventude e da Promotoria dos Direitos Constitucionais de Londrina, decidiu iniciar dois levantamentos para tentar amenizar o problema da quantidade de crianças em idade entre zero e seis anos que estão precisando de atendimento em creches.
O primeiro levantamento será junto a empresas privadas que possuem mais de 30 mulheres como funcionárias para detectar quais cumprem a disposição Constitucional que prevê o benefício. O segundo será em creches e buscará detectar quais crianças são realmente filhas de mães que trabalham fora.
Ainda estamos analisando de que forma faremos esses levantamentos, que nos darão condições de ter um retrato fiel da situação no município. Através deles, poderemos analisar que tipo de ações propor para resolver ou amenizar o problema, disse a promotora da Infância e Juventude, Édina Maria Silva de Paula.
Segundo Édina, as empresas que não estiverem cumprindo a lei terão um prazo para se adequar. O Poder Público também poderá ser acionado se não tomar providências. A decisão do Ministério Público de exigir uma solução para o problema da falta de vagas em creches surgiu após reunião do Fórum de Entidades de Assistência Social, realizada anteontem à tarde, na Cidade da Criança, em Londrina.
Durante a reunião, o Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina apresentou um levantamento em que consta, oficialmente, um total de 2.454 crianças à espera de vagas nas 46 creches da zona urbana que foram pesquisadas. O número, no entanto, não corresponde à realidade, segundo a coordenadora do levantamento, professora Márcia Pastor.
Dados do último censo do IBGEapontam a existência no município de 24.279 crianças de 0 a seis anos no vivendo na linha da probreza (renda familiar de até dois salários mínimos). Com estes dados, a professora conclui que a demanda potencial por creches é muito grande. Hoje, são ofertadas cerca de 5 mil vagas em 57 creches da cidade e duas na zona rural.
Apesar da defasagem entre a demanda e a oferta, a reunião do Fórum das Entidades definiu que não há necessidade de construção de novas creches na cidade, mas é urgente a ampliação das já existentes. A presidente do Fórum, Itamar Kedma Helene Alves, informou que praticamente todas as unidades possuem terrenos anexos.
Uma outra ação das entidades será marcar uma reunião com o prefeito Antonio Belinati (sem partido). Queremos mais transparência no orçamento da prefeitura para sabermos se há recursos para as ampliações, comentou Itamar.


