Arquivo FolhaPreocupaçãoA promotora do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reinchenbach: ‘Toda atividade com gás é perigosa por si só’ A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Maria Lucia Reichenbach, encaminhou ontem ofícios solicitando análises e perícias sobre os riscos do envasamento de gás a granel ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e ao Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar). Ao IAP a promotora estipula o prazo de dez dias para que sejam realizadas análises e apresentado relatório conclusivo sobre os possíveis malefícios que o envasamento de gás em empresas e domicílios pode causar ao meio ambiente. Ao Tecpar, de Curitiba, ela solicita que em 15 dias sejam realizadas perícias e apresentado parecer técnico sobre os procedimentos e tecnologias utilizadas para o envasamento.
‘‘Estou preocupada com os possíveis riscos desta operação, até porque não a conhecemos inteiramente. Quero saber detalhes sobre a segurança e os possíveis perigos desta nova metodologia de envasamento de gás, uma vez que hoje ela está proibida no centro da Cidade, fora do pool de combustíveis’’, comenta a promotora Maria Reichenbach. ‘‘Toda atividade com gás é perigosa por si só, porque sempre pode acontecer o vazamento e acidentes. Este risco pode aumentar na medida em que aumentam os locais de envasamento. Por isto, estou apreensiva e quero saber quais falhas humanas e técnicas podem ocorrer neste novo sistema de venda e entrega de gás, para que as normas e regras de segurança sejam rigorosas e possam evitá-las.’’
Existe a denúncia de que este novo tipo de envasamento - o caminhão de gás vai até o prédio e enche os cilindros - está acontecendo na Cidade nos últimos meses, de forma ilegal. A acusação foi feita pela Associação Ambientalista Bandeira Verde no final de outubro, segundo a diretora da entidade, Eliana Souto. ‘‘Fizemos a denúncia e pedimos providências porque as empresas revendedoras de gás estão operando de maneira irregular, envasando em 26 edifícios da região central e colocando em risco a vida de milhares de pessoas’’, diz.
A preocupação chegou à Câmara, onde o vereador Carlos Kita (PTB) apresentou projeto proibindo este tipo de envasamento de gás no Município. A proposta de proibição gerou polêmica, levou à Câmara representantes do Corpo de Bombeiros e foi enfrentada por um substitutivo de Antenor Ribeiro (veja matéria ao lado). ‘‘Este sistema, não regulamentado em nível nacional, representa várias bombas-relógio ambulantes pela Cidade, prestes a explodir a qualquer momento. A proibição proposta objetiva evitar uma futura catástrofe de tamanho imprevisível em Londrina’’, afirma Kita.
O comandante do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Ubirajara Dias Paredes, considera que não há tantos riscos nem motivo para a polêmica. ‘‘Apesar de ainda não regulamentada no Brasil, esta nova tecnologia de envasamento já foi aprovada em vários países desenvolvidos e representa um avanço. Dentro de normas de operacionalização, ela é perfeitamente segura. Mas sempre há o risco de acidente quando se manipula combustível como o gás.’’

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