Emerson Cervi
De Curitiba
A Promotoria de Defesa da Saúde do Trabalhador está fazendo uma pesquisa sobre os efeitos nocivos do amianto à saúde humana. O promotor João Zaion Junior disse que o trabalho começou pelo hospital Erasto Gaertner. ‘‘Em uma empresa que visitamos não foi encontrado nenhum indício de dano à saúde, mas agora vamos começar a inspeção nas menores’’, disse o promotor. Entidades ambientalistas afirmam que a inalação de pó de amianto pode causar várias doenças respiratórias, entre elas a asbestose, asma, enfisema, tuberculose. Se for comprovado que o amianto causa doenças, as pessoas que ficaram expostas ao agente poderão requerer indenizações.
No Paraná existem 20 empresas que trabalham com amianto, principalmente na fabricação de telhas. O trabalho da promotoria começou depois que a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea) denunciou a possibilidade de danos à saúde provocados pelo mineral. No estado de São Paulo, a Delegacia Regional do Trabalho comprovou, em 1997, a ocorrência de doenças respiratórias em pessoas que foram expostas ao pó de amianto. Das 420 pessoas que passaram pelo exame, 310 relatórios médicos apontaram a existência de pelo menos uma doença. As pessoas examinadas tinham trabalhado na fábrica da Eternit, em Osasco, e na Thermoid (indústria de freios), em São Paulo.
Entre os dias 21 de 24 deste mês a Organização Não-Governamental (ONG) Rede Amigos da Água, promove o seminário Cidadania e Meio Ambiente, nas Faculdades Integradas Espírita, em Curitiba. Um dos painéis do evento será sobre amianto. ‘‘Além dos danos à saúde, ele é um poluente ambiental porque se propaga pelo ar’’, afirmou o secretário da Rede Amigos da Água, Jorge Ram.
Empresas de extração e transformação de amianto garantem que seguem todas as determinações de segurança para evitar danos à saúde dos trabalhadores. O uso do amianto está proibido em 15 países da Europa e nos Estados Unidos deve ser banido até o ano 2001.
A justificativa das empresas brasileiras para continuar a explorar o minério é que o amianto produzido no País é do tipo crisolita (a única mina de amianto crisolita do mundo fica em Minaçu, Goiás), que não contém ferro. O amianto produzido na Europa e América do Norte é do tipo anfibólio, com ferro, que é mais agressivo à saúde. ‘‘Foi comprovado que a permanência de uma pessoa em ambiente com amianto crisolita por mais de 48 horas causa danos à saúde’’, disse Jorge Ram.’’ A mina de amianto em Goiás emprega 12 mil trabalhadores. O Brasil produz 233 mil toneladas do material por ano.

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