Londrina

César AugustoNo FórumTavares analisa representação entre pela secretária de Ação SocialO promotor Paulo Tavares, da Procuradoria de Justiça e Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, vai ouvir, hoje de manhã, quatro das cinco pessoas abandonadas segunda-feira em uma rua do centro de Londrina por um veículo da prefeitura de Ribeirão do Pinhal. Tavares recebeu ontem da secretária de Ação Social, Marisa Goettel Nascimento, representação pedindo providências contra o ‘‘despejo’’ de indigentes nas ruas da Cidade.
Tavares decidiu ouvir os depoimentos para ‘‘facilitar’’ a instauração de inquérito policial sobre o caso. Ele esclareceu que pelo menos três dos indigentes não têm residência fixa, situação que dificultaria a tomada dos depoimentos depois de instaurado o inquérito.
O promotor já entrou em contato com a promotoria de Justiça de Ribeirão do Pinhal, que se comprometeu em determinar a abertura de inquérito policial para apurar responsabilidades. ‘‘O depoimento destas pessoas é vital para o inquérito. Ouvi-las agora é uma garantia’’, disse. Os indigentes estão no galpão que atende o projeto ‘‘Noite Fria’’ .
Marisa Goettel Nascimento informou ao promotor que atualmente 50% dos atendimentos feitos pela Central de Atendimento à População (Cap) é prestado a pessoas oriundas de outros municípios. ‘‘Sabíamos que muitas prefeituras vêm despejando indigentes na Cidade, como forma de resolver seus problemas sociais. Mas, até agora, não tínhamos como provar.’’
Ela argumentou que compreende as dificuldades enfrentadas pelos municípios mas que nada justifica a atitude destas prefeituras. ‘‘Nós também temos sérios problemas de recursos para atender a demanda. Nem por isto excluímos nossos cidadãos.’’
O promotor Paulo Tavares classificou a atitude da prefeitura de Ribeirão do Pinhal e outros municípios que têm a mesma conduta de ‘‘desumanidade’’ e de ‘‘desrespeito aos direitos humanos’’. Enfatizou que, ao trazer estas pessoas para Londrina, com a promessa de atendimento, para depois abandoná-las em frente a um bar, ‘‘omitiram socorro’’.
O promotor incentiva a comunidade a denunciar estas situações afirmando que esta é a única forma de lutar contra o desrespeito dos direitos fundamentais do ser humano. ‘‘Toda agressão precisa ser denunciada.’’
A Secretaria de Ação Social já encaminhou manifesto contra a atitude da prefeitura de Ribeirão do Pinhal à Amunorp (Associação dos Municípios do Norte Pioneiro). Marisa Nascimento disse que ofícios denunciando a situação e sugerindo a busca conjunta de soluções serão encaminhados também às associações dos municípios do Vale do Ivaí (Amuvi) e do Norte do Paraná (Amepar).

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