Promotoria vai investigar qualidade de ensino
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sábado, 05 de maio de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O Ministério Público (MP) vai abrir esta semana Inquérito Civil para investigar as causas do baixo rendimento escolar dos alunos da rede pública de ensino de Londrina. A declaração foi feita pela promotora Édina Maria de Paula, que cita o fraco desempenho da cidade nos exames realizados pelo Ministério da Educação.
A divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), na semana passada, mostrou que os alunos da rede municipal - 1a a 4a séries - ficaram com média de 4,7. Os quatro primeiros anos de escolaridade são responsáveis pela aprendizagem da leitura, escrita, e aritmética básica - que envolve a noção dos números e as quatro operações matemáticas. O resultado do Ideb também mostrou que o desempenho dos alunos da rede estadual, de 5a a 8a séries, é ainda pior, com média de 3,8 em Londrina.
De acordo com a promotora Édina de Paula, o inquérito servirá para avaliar os resultados e propor medidas que melhorem o rendimento dos estudantes. De acordo com ela, 60% dos menores infratores estão fora da escola ou tem baixo rendimento escolar.
''Percebemos faz tempo que a maior parte dos adolescentes que pratica crimes tem problemas na escola. Já vi situações dramáticas em que o adolescente está parado na sexta-série, sem saber ler e escrever'', explicou a promotora. ''Quando saiu esse índice ridículo de aproveitamento escolar, tivemos a confirmação daquilo que já observávamos, e, com base nestes dados científicos, resolvemos tomar providências''.
De acordo com a promotora, a investigação contará com auxílio de uma comissão de especialistas para diagnosticar as razões do baixo aproveitamento. ''Não é um inquérito rápido. Precisamos levantar critérios para propor uma ação judicial que melhore a efetividade do sistema de ensino''. Édina de Paula afirmou que deverão ser tomados depoimentos de todos os segmentos envolvidos: Secretaria de Educação, professores, alunos, pais e funcionários.
O especialista em Educação Básica e integrante do Conselho Estadual de Educação (CEE), Arnaldo Vicente, disse ver com bons olhos a iniciativa do MP se o objetivo for a busca de soluções técnicas. ''Ainda estou impactado com a atuação horrível do MP em Curitiba na questão do ensino de nove anos'', disse, em referência à ação que permitiu a crianças de cinco anos entrar na primeira série do ensino fundamental. ''Se o sentido é melhorar, sem transferir responsabilidades e sem festival de vaidades, acho bastante positivo''.
Vicente acredita que o resultado do Ideb - ''abaixo do mínimo esperado'' - mostra as falhas do processo de formação dos professores. ''Precisamos repensar a formação. Londrina está com uma campanha na mídia sobre a formação do professor, mas temos que atentar para a qualidade dos cursos'', disse. Segundo ele, o Conselho Estadual de Educação investiga diversas denúncias de irregularidades em faculdades de pedagogia.
O professor Arnaldo Vicente acredita que também há falhas nos chamados cursos de aperfeiçoamento. ''O professor pode fazer uma dezena deles por ano, mas será que tem relação com a sala de aula? A formação dos professores atualmente é desarticulada e sem coerência''.


