O Conselho Estadual de Educação só vai analisar no mês que vem a aprovação dos cursos técnicos destinados à formação de mão-de-obra especializada para a indústria automobilística, oferecidos pelo Colégio Camões, de Curitiba. Sem a aprovação, os cursos estão irregulares e não podem manter a data de início das aulas, previsto para o próximo dia 26. A Promotoria de Defesa do Consumidor vai instaurar um procedimento de investigação preliminar, notificando o colégio e os órgãos oficiais de Educação a prestarem informações sobre o curso.
O promotor Ciro Expedito Scheraiber soube das possíveis irregularidades nesses cursos através da matéria publicada semana passada pela Folha. A reportagem constatou que, ao contrário do que informava a propaganda do Colégio Camões, os cursos ainda estão irregulares e não têm suporte técnico para formar mãode-obra qualificada para as montadoras de automóveis.
Segundo Scheraiber, a promotoria tem outros casos semelhantes registrados. O que acontece em geral é que os colégios conseguem registros provisórios e iniciam os cursos, mas depois não conseguem o reconhecimento e as turmas formadas são obrigadas a entrar na Justiça para garantir a validade dos diplomas.
Situações como essa já aconteceram com o curso técnico de Segurança do Trabalho do Colégio Spei, em que as turmas formadas até fevereiro de 1995 foram reconhecidas em caráter excepcional. Os alunos formados até julho de 1994 no curso de Segurança no Trabalho do Colégio Rui Barbosa só conseguiram na Justiça o reconhecimento. O curso de Enfermagem também não foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação. O diretor de Marketing do Colégio Camões, Agostinho José Rodrigues Neto, informou que está organizando uma entrevista coletiva para esclarecer as questões relativas ao curso que pretende formar mão-de-obra para as montadoras que estão se instalando no Paraná.

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