Promotoria vai apurar denúncias
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Benê Bianchi 
A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público vai apurar o suposto desvio de dinheiro público, advindo de convênio firmado entre a Adipar e a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). E também a acusação de que espaços de um terreno cedido pelo Município ao presidente da entidade, Francisco Negri Filho, estariam sendo locados para terceiros.
O promotor Bruno Galatti recebeu ontem à tarde o presidente do Conselho Fiscal da associação, Alexandre Caldeirão, e o associado Marcus Morgan Cabral. Ele esclareceu que vai analisar somente as denúncias envolvendo dinheiro e doações de bens públicos. As demais devem ser resolvidas em assembléia dos associados.
Caldeirão afirmou que há irregularidades na prestação de contas de três convênios. Num deles, a Codel teria repassado R$ 18 mil para a realização de um workshop, em novembro de 98. Neste caso, Caldeirão informou que há recibos das despesas, mas não há cópias dos cheques.
No outro convênio questionado, no valor de R$ 12 mil, sendo repassados R$ 1 mil por mês, ele diz que falta comprovar os gastos de R$ 5.053,14. O dinheiro seria destinado ao pagamento de aluguel da sede da Adipar. O terceiro convênio, para um levantamento completo do setor de prestação de serviços e artesanato, entre outros itens, no valor de R$ 12 mil, não tem nenhum comprovante de despesas.
O presidente da entidade, Francisco Negri, rebateu todas as acusações de Caldeirão. Ele disse que o convênio para a realização do workshop não tem irregularidade e que a documentação já foi enviada à Codel. Quanto ao segundo convênio, para pagamento de aluguel, Negri disse que ao assumir a presidência da entidade transferiu a sede para um espaço na Incubadora.
A entidade estava com muitas dívidas deixadas pela presidência anterior. Desse convênio, tinha ainda pouco mais de R$ 5 mil, que usei para pagamento de dívidas e os associados sabem disso. Quanto ao terceiro convênio, Negri disse que foi firmado no início do ano e ainda está em andamento. Por isso não consta prestação de contas.
A denúncia de locação de espaços no terreno que recebeu da prefeitura para instalação de uma fábrica de concreto, também é rebatida por Negri. Caldeirão disse ser um dos locatários do espaço, afirmou que paga o equivalente a R$ 300,00 por mês em mão-de-obra a Negri.
Negri afirma: Ele não é meu inquilino. É meu parceiro. Estou construindo a empresa com recursos próprios, o que é demorado. Enquanto não consigo terminar, resolvi oferecer a parceria para algumas pessoas para atingir a finalidade da doação, que é justamente gerar emprego.
Caldeirão registrou na Codel a reclamação sobre o terreno. Segundo o presidente da Codel, José Cândido Miller, Negri já foi chamado para dar explicações. A princípio, não percebo ilegalidade na atitude de Negri, mas tenho a impressão que fere a ética. Ele disse que a lei de doação de terrenos determina apenas que as áreas doadas têm por finalidade gerar empregos. De qualquer forma, Negri tem até hoje para prestar os esclarecimentos à Codel.
O presidente da Adipar também procurou a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, através do advogado Ronaldo Gomes Neves. Ele enviou expediente à Promotoria informando que Caldeirão está com documentos da Adipar e se nega a devolvê-los. Vou apresentá-los em assembléia hoje (ontem), informou ele.


