Albari RosaÁgua e arAlém de poluir o ar, a Cocelpa, em Araucária, joga efluentes líquidos diretamente do Rio Barigui, sem tratamentoA Cocelpa - Companhia de Celulose e Papel do Paraná, instalada no Jardim Alvorada, em Araucária, emite materiais particulados escuros sobre as residências, roupas estendidas nos varais e terrenos vizinhos e não tem tratamento de efluentes líquidos, que são despejados diretamente no Rio Barigui.
O Promotoria do Meio Ambiente entrou com um processo judicial para exigir o tratamento de efluentes líquidos, mas a empresa conseguiu liminar em 1992 e continua trabalhando nas mesmas condições. Atualmente, os técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não têm permissão para entrar na fábrica. Segundo o promotor Saint Claire Honorato dos Santos, o processo está em fase final e poderá ser julgado ainda esse ano.
A situação incomoda os moradores da região, que já fizeram um abaixo-assinado e diversas reclamações ao IAP, mas ainda não houve nenhuma melhoria. No inverno, quando as condições de dispersão são mais difíceis, o problema é intensificado.
Albari RosaPedro Maia, vizinho da fábrica: crianças com dores de cabeça
O aposentado Pedro Maia, de 61 anos, mora há 30 anos em uma casa vizinha à fábrica da Cocelpa e disse que acostumou a ver seus filhos (como Daniel, de 13 anos) crescerem com dores de cabeça e problemas respiratórios. Ele construiu sua casa antes da instalação da indústria e chegou a trabalhar para a empreiteira contratada pela Cocelpa na época da construção.
O morador Laércio Biu dos Santos, de 22 anos, conta que, no início do ano, quando sua família resolveu trocar o forro da casa, eles retiraram grande quantidade de fuligem negra. ‘‘As partículas chegam a furar as roupas e ardem quando caem nos olhos’’, diz.
‘‘Quando venta na direção de nossa casa, as roupas do varal ficam manchadas com cor de ferrugem ou de carvão’’, disse uma moradora que preferiu não se identificar. Ela mora há 27 anos no local. ‘‘Aqui é bom de morar, o que atrapalha é essa fábrica’’. (G.P.)

mockup