Promotoria tem 3 casos contra Fowler
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terça-feira, 15 de julho de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
Albari RosaFowler era o titular do 12º DP até ser afastado pela morte de ZanellaCorrupção, racismo e abuso de autoridade. Mais três casos de possível conduta irregular implicam o delegado afastado do 12º DP de Curitiba, Maurício Fowler. Documentos com as denúncias foram entregues ontem à reportagem da Folha por uma fonte ligada à Policia Civil, a quem vamos chamar de Agente Z. Tratam-se de ocorrências registradas entre setembro e outubro do ano passado e já encaminhadas à Promotoria de Investigação Criminal (PIC) do Ministério Público do Paraná.
Seghundo a acusação de corrupção, Fowler teria tentado extorquir o comerciante Elomar Moro. Em carta entregue à PIC, o comerciante diz que tinha uma dívida com a Distribuidora de Papéis Curitiba e havia proposto um acordo para saldar o débito. Uma representante da empresa teria recusado o acerto e procurado o 12º DP para intimidá-lo. Ela e Fowler supostamente pediram R$ 100 mil a Moro para evitar inquérito policial. O comerciante preferiu denunciá-los por extorsão.
O pedreiro Darci Dias, negro, encaminhou à PIC denúncia contra o delegado por racismo. Ele contou que voltava do trabalho quando teria sido preso sem ordem judicial por três policiais do 12º DP. Levado à presença de Fowler, Dias reclamou da forma desumana e vexatória com que era tratado e teria ouvido a seguinte resposta: Você não é nada, é um preto sem importância alguma. Aqui dentro preto é lixo. O pedreiro ficou na delegacia durante oito horas.
Já o borracheiro Natanael Rocha de Souza acusa o delegado de abuso de autoridade. Segundo seu relato, Fowler queria que o borracheiro assumisse ter comprado um carro de Beto Louco, um ladrão de automóveis. A confusão ocorreu porque Jair Pereira da Silva teve apreendido um Opala supostamente roubado e com chassi adulterado que havia comprado de Souza. Este, por sua vez, tinha adquirido o veículo de Luiz Fioroto. Souza teria sido coagido por quase três horas no 12º DP.
Ao revelar esses casos, o Agente Z seguiu o exemplo da corretora de imóveis Dalva Lúcia da Rocha. Na edição de ontem da Folha, ela quebrou o silêncio e tornou público um processo que move contra Fowler por abuso de autoridade. O delegado teria armado um flagrante a pedido de duas empresárias que deviam dinheiro a Dalva. A corretora se encorajou devido à situação delicada de Fowler, que vai ser interrogado hoje à tarde no Fórum Criminal por envolvimento na morte do universitário Rafael Zanella.


